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Escândalo da Volkswagen obriga a diminuir produção

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A filial de serviços financeiros vai interromper as novas contratações até ao final do ano, sendo que cerca de 30 contratos temporários que expiram este ano já não serão renovados

O escândalo de manipulação de emissões poluentes do grupo Volkswagen já está a ter um efeito negativo na produção de motores e no braço financeiro da empresa, a VW Financial Services.

Uma porta-voz da fábrica de motores da localidade de Salzgitter disse esta quarta-feira que a unidade fabril reduziu um turno extraordinário semanal para baixar a produção.

A fábrica de Salzgitter produz diariamente cerca de 7.100 motores a gasóleo e tem 7.000 trabalhadores.

A filial de serviços financeiros, a Volkswagen Financial Services, vai interromper as novas contratações até ao final do ano, revelou um porta-voz, sendo que cerca de 30 contratos temporários que expiram este ano já não serão renovados.

O Conselho de Supervisão da Volkswagen, órgão que representa os acionistas e os trabalhadores, vai reunir-se esta tarde na sede da empresa em Wolsfburgo, para continuar a tentar ultrapassar a crise que gerou um escândalo de manipulação de testes de emissões poluentes nos motores a gasóleo.

O ministro da Economia do Estado Federado da Baixa Saxónia, o social-democrata Olag Lies, membro do Conselho de Supervisão, exigiu que os responsáveis sejam julgados criminalmente. O Estado da Baixa Saxónia é um dos acionistas da Volkswagen, com 20%.

"Os que permitiram que tal ocorresse e que decidiram instalar o 'software' atuaram de forma criminal. Devem assumir as responsabilidades pessoais", disse Olag Lies à cadeia de televisão BBC.

A empresa admitiu, na semana passada, que 11 milhões de carros a diesel em todo o mundo estão equipados com dispositivos que ativam controlos de poluição durante os testes, mas automaticamente os desligam quando o carro está em condução.

Em Portugal, a importadora SIVA anunciou na terça-feira que estão envolvidos 94.400 automóveis, dos quais 53.761 da Volkswagen e Volkswagen Veículos Comerciais, 31.839 da marca Audi e 8.800 da Skoda.

O escândalo manchou o nome da Volkswagen, deixando-a exposta a milhares de milhões de dólares em multas nos Estados Unidos, com investigações desde a Noruega até à Índia, o que levou a empresa a uma desvalorização de um terço do seu valor em bolsa numa semana.

Na última sexta-feira, após uma maratona de reuniões de crise, o Conselho de Supervisão da líder de mercado mundial de automóveis designou o presidente da Porsche, Matthias Mueller, para substituir Martin Winterkorn como presidente executivo do grupo alemão.