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Violência regressa à República Centro-Africana

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© Eduardo Munoz / Reuters

Desde 2013, seis a dez mil crianças já foram capturadas por fações perigosas. Neste conflito contam-se pelo menos três entre as vítimas mortais

A Presidente interina da República Centro-Africana, Catherine Samba-Panza, foi obrigada a abandonar a Assembleia Geral das Nações Unidas mais cedo devido à violência que ocorreu esta segunda-feira no seu país. Sampa-Panza voltou de Nova Iorque para tratar do surto de violência que já é classificado como o pior a ter lugar na capital do país desde que o ano começou.

Após três dias de confrontos violentos em Bangui, onde forças francesas e da ONU estão presentes, o saldo é impressionante: 30 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas. A violência começou no passado sábado, quando o homicídio de um muçulmano levou a ataques de gangues e civis muçulmanos num bairro cristão. Segundo a denúncia da UNICEF, várias crianças foram "alvos deliberados" dos confrontos, já que três adolescentes foram "brutalmente assasssinados" e quatro foram feridos por tiros e fragmentos de granadas.

Embora um diplomata tenha afirmado à Reuters que a Presidente voltou ao seu país devido à situação de insegurança, esta terça-feira já se deram novos confrontos, quando manifestantes se instalaram diante do edifício da Presidência para exigir a renúncia de Catherine Samba-Panza.

Durante este fim-de-semana, centenas de prisioneiros escaparam da prisão principal de Bagui, o que levou ao protesto de centenas de pessoas com o objetivo de conseguir o rearmamento do exército. Durante a manifestação, registou-se pelo menos uma morte.

O Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou de imediato "condenar fortemente todos os atos de violência" e pediu "fim imediato" ao que considerou uma situação de violência "inaceitável". Por sua vez, o Conselho de Segurança das Nações Unidas avisou que está preparado para elaborar uma lista negra de indivíduos que põem em causa a paz e a estabilidade da República Centro-Africana.

Os surtos de violência no país já vêm de longe. Em 2013, a coligação muçulmana Seleka tomou o poder recorrendo às armas e causando milhares de mortes. Em resposta, as milícias cristãs Anti-Balaka, ou anti-espada, contra-atacaram, numa altura em que a ONU temeu que o país estivesse "em risco de espiral de genocídio". Desde essa altura, estima-se que entre seis a dez mil crianças tenham sido capturadas for fações armadas e que estejam a ser usadas como combatentes, cozinheiros, estafetas e para fins sexuais, de acordo com a UNICEF.