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Expresso

Internacional

Estados Unidos e Afeganistão respondem a forças talibãs com ataques aéreos

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STRINGER/AFGHANISTAN

Os talibãs voltaram a recuperar terreno na cidade afegã de Kunduz 14 anos depois. Ministério da Defesa afegão promete que situação vai ser resolvida rapidamente

As forças militares dos Estados Unidos e do Afeganistão juntaram esforços esta terça-feira para atacar os rebeldes talibãs. O ataque aconteceu em resposta aos avanços dos talibãs, que recuperaram esta segunda-feira um quantidade significativa de terreno em Kunduz, capital de província estratéfica ao norte do Afeganistão.

É a primeira vez desde 2001 que os talibãs retomam território e, segundo o porta-voz do ministro da Defesa afegão, Dowlat Waziri, a situação é provisória: "Os talibãs estão a perder terreno. Daqui a umas horas a cidade vai estar livre", disse. Waziri esclareceu ainda que as tropas afegãs já enviaram reforços para as províncias vizinhas de Cabul e Balkh.

As forças de segurança já recuperaram as zonas que rodeiam a prisão central - de onde os talibãs conseguiram libertar várias centenas de presos - e a sede da polícia. No entanto, grandes áreas da cidade continuam em mãos das forças talibã. O porta-voz para as missões da NATO e dos Estados Unidos no Afeganistão, o coronel Brian Tribus, afirmou que os ataques aéreos conduzidos esta manhã se destinaram a "eliminar uma ameaça" e não precisou se outras ofensivas do mesmo tipo se seguirão.

Os ataques ocorreram após os avanços das forças talibã da tarde de segunda-feira. Na manhã desta terça-feira, as consequências já se faziam sentir nos hospitais públicos de Kunduz, com 16 mortos e 172 feridos a darem entrada nas instalações. Também o hospital dos Médicos Sem Fronteiras recebeu mais de 100 vítimas da ofensiva talibã, na maioria dos casos atingidas a tiro.

Os avanços em Kunduz têm lugar um ano depois da chegada ao poder do Presidente Ashraf Ghani. O Executivo continua a ter dificuldades em controlar os levantamentos no território afegão, principalmente após a retirada de tropas estrangeiras, nomeadamente da NATO, no final de 2014. O governador de Kunduz, Mohammad Omar Safi, já revelou que tem vindo a pedir há meses reforços da parte do Governo central.

Os talibãs foram expulsos do poder em 2001 e expressam agora a vontade de "servir o povo" e "estabelecer a lei sharia", isto é, o direito islâmico, baseado fundamentalmente nos valores religiosos.