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Resultado ambíguo na Catalunha. Independentistas vencem eleições, mas perdem plebiscito

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FOTO ALBERTO ESTEVEZ/EPA

Arrancam esta manhã as negociações entre as listas independentistas, que no domingo alcançaram, em conjunto, a maioria absoluta em número de assentos, embora não em votos. O resultado acalmou o Executivo do conservador Mariano Rajoy

Artur Mas tinha um objetivo claro e ambicioso: transformar as eleições regionais num plesbiscito à independência. O presidente da Catalunha mostrou-se sempre otimista, mas o resultado deste domingo foi ambíguo e acabou por revelar divisões no eleitorado. As listas independentistas Juntos Pelo Sim (de Mas) e Candidatura de Unidade Popular (CUP) alcançaram a maioria absoluta em número de assentos (72 num parlamento de 135 lugares), mas não a nível de votos (somando 47,8%). A plataforma Juntos Pelo Sim conquistou 62 deputados, mas os 10 deputados da CUP serão essenciais para empossar um governo regional. E a CUP não quer que este seja encabeçado por Artur Mas.

O resultado agradou ao Governo de Mariano Rajoy (do Partido Popular, direita, no poder em Espanha), mas terá desiludido, ainda que não o reconheça, o presidente da Catalunha, que desejava obter um "sim" inequívoco à independência da região. A decisão dos catalães poderá colocar em causa o lugar de Artur Mas, como indicam os media espanhóis, realçando as divergências com a CUP. O presidente, por enquanto, considera que não faz sentido pôr em causa o seu nome.

Esta segunda-feira, os separatistas vão iniciar negociações com vista à formação do Executivo regional. Apesar de as duas forças políticas defenderem um processo que leve à secessão da Catalunha, há diferenças que as afastam, nomeadamente de tempo. A Juntos Pelo Sim (que reúne a liberal Convergência Democrática, de Artur Mas, e Esquerda Republicana) considera que aquilo a que chama "transição nacional" deverá ser realizada ao longo de 18 meses, enquanto a CUP defende que o governo regional deve fazer já uma declaração de independência unilateral, mesmo contra a vontade de Madrid.

Artur Mas já apelou ao Executivo de Mariano Rajoy para aceitar este resultado como um triunfo do "sim" à independência. “Aceitem a vitória da Catalunha e do 'Sim'. Claro que se tratou de um plesbiscito. Não desistiremos, este resultado dá-nos uma enorme força e legitimidade para levar adiante este projeto”, afirmou o presidente da Catalunha, citado pelo “El País”. “Claro, que não devíamos contar os votos em vez dos lugares. Se tivéssemos realizado um referendo, como na Escócia, é que teríamos só contado os votos”, acrescentou Artur Mas.

Também líder da Esquerda Republicana da Catalunha,sublinhou que o resultado eleitoral demonstrou a vontade catalães em alcançarem a independência. “Conseguimos um mandato explícito para seguir em frente com este processo e alcançar a independência da região”, declarou Oriol Junqueras.

A taxa de participação nas eleições regionais na Catalunha foi histórica, com uma afluência às urnas superior a 77%, 10 pontos percentuais acima do último recorde registado em 2012. Segundo o “El Mundo”, alguns eleitores chegaram a esperar uma hora para poderem votar.