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NASA vai enviar três naves e quer levar humanos para Marte

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Na imagem criada por computador pela NASA, é simulada a superfície marciana com as manchas escuras que os cientistas acreditam ter sido criadas por água salgada

NASA

Foi um dia em cheio para a NASA (e para o mundo e para o universo que conhecemos): a agência norte-americana anunciou que foram encontrados indícios de água no planeta e agora quer descobrir e confirmar se há ou não vida no planeta vermelho

A descoberta de água em estado líquido em Marte é um novo passo na investigação espacial, sugerindo que “pode existir vida em Marte”. Esta segunda-feira, a NASA anunciou o segredo que tinha prometido e garantiu que o futuro será de intensa investigação.

É preciso saber de onde vem a água e ainda responder a tantas outras perguntas. Agora, o próximo passo é enviar cientistas para o planeta. “Enviaremos, num futuro muito próximo, cientistas para lá”, disse Jim Green, da NASA, numa conferência de imprensa em Washington, nos Estados Unidos. A prioridade será inspecionar o solo e perceber se “haverá vida em Marte”. Para já, ao longo dos próximos três anos serão enviadas para Marte três naves espaciais.

Alfred McEwen, um dos responsáveis pela investigação, diz que com esta descoberta é “altamente provável” que exista vida microbiológica - por exemplo, vírus, bactérias, fungos e parasitas - em Marte. Já quanto a plantas, o cenário parece mais complicado, uma vez que a altitude é muito elevada - “três vezes superior ao Evereste e mais alta do que os aviões podem voar” - e, consequentemente, a pressão é muito baixa. A atmosfera marciana é ainda muito fina. Nestas condições, e mesmo com água, torna-se complicado para uma planta sobreviver. “Mas se pudermos construir uma estufa e colocar uma torneira com água, então já poderia funcionar”, acrescenta John Grunsfeld, da NASA.

No passado, a estação espacial norte-americana já tinha encontrado indícios de que existia gelo em Marte, mas agora confirma-se que existe água líquida a correr pelos desfiladeiros e crateras durante os meses de verão em Marte. “Marte não é um planeta seco. Em certas circunstâncias, foi encontrada em Marte água em estado líquido”, disse Jim Green.

Os investigadores analisaram as marcas escuras que cobrem a superfície marciana e concluíram que estas foram criadas a partir de água salgada. “Esta água é muito mais salgada do que a água dos oceanos terrestres. Provavelmente está distribuída em camadas de solo molhado”, explicou Alfred McEwen.

“Não vimos chuva, mas já vimos neve. Sabemos que há um ciclo de água. Há três mil milhões de anos havia um ciclo de água muito intenso”, afirmou Jim Green. “Se recuarmos a três mil milhões de anos, Marte era um planeta muito diferente. Tinha algo que acreditamos que seja um enorme oceano - talvez tão grande como dois terços do hemisfério norte. Tinha extensos recursos aquáticos, mas Marte sofreu um grande alteração climática e perdeu a água que tinha à superfície. Hoje estamos a revolucionar o nosso conhecimento sobre este planeta, os nossos veículos de exploração descobriram que há muito mais humidade no ar do que alguma vez imaginámos. Os solos estão hidratados e cheios de água. Estas descobertas são importantes, mas são apenas parte do ciclo hidrológico de Marte, que agora estamos a começar a compreender”, acrescentou.

A origem da água continua a ser um “mistério”. Das duas uma: vem da atmosfera ou vem do solo. Ou até mesmo de ambos. No entanto, qualquer uma das teorias apresenta problemas e ainda não existem certezas. “Estou mais inclinado para a ideia de que vem da atmosfera, apanhada por sais deliquescentes [absorvem a humidade do ar e depois se liquefazem], tais como o perclorato e o cloro”, disse McEwen. A presença do perclorato permite que a água se mantenha em estado líquido mesmo em temperaturas baixas.

Esta descoberta não se trata de um rio ou de um mar - refere-se a pequenas quantidades de água salgada, cuja importância deve-se ao facto de até há uns anos se pensar que Marte não passava de um enorme deserto.

Notícia atualizada às 20h23