Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

França fez ataque oportuno e “diplomático” na Síria contra o Estado Islâmico

  • 333

Imagem disponibilizada pelos serviços franceses mostram os caças Rafale em pleno voo em direção à Síria, onde atacaram posições do Daesh

ECPAD / EPA

Se não foi de propósito, parece. Aviões franceses atacaram este domingo um “campo de treino” do Daesh na Síria. A França quer lugar de relevo nas negociações sobre o futuro do país. Ataque ocorreu na véspera do início da Assembleia geral da ONU

O Presidente francês François Hollande está em Nova Iorque para participar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na qual discursará na noite desta segunda-feira.

À chegada aos Estados Unidos, este domingo, Hollande só falou num assunto, que realçou repetidamente também através de comunicados oficiais do Eliseu: “A França atacou esta manhã e destruiu um campo de treino de Daesh (autodenominado Estado Islâmico) na Síria”.

Praticamente todos os jornais franceses realçam esta segunda-feira o “lado diplomático” deste primeiro ataque de cinco aviões na Síria. O “Le Figaro”, matutino conservador, diz que a França “procura o seu lugar entre a Rússia e os Estados Unidos”. E o “Le Monde”, vespertino de centro-esquerda, escreve mais ou menos a mesma coisa: “A França quer pesar na batalha diplomática sobre a Síria”.

François Hollande garante que o objetivo do ataque na madrugada deste domingo foi destruir um campo do Daesh, onde alegadamente se preparavam planos e se treinavam jiadistas para levar a cabo “atentados terroristas em França”.

Mas os analistas sublinham sobretudo o facto de o ataque ter ocorrido na véspera da abertura da Assembleia da ONU, que será dominado pelo regresso em força da Rússia ao campo das negociações sobre a guerra na Síria.

O Presidente Vladimir Putin, que reforçou consideravelmente a presença militar russa na Síria, tem um encontro marcado em Nova Iorque com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama. Nesta reunião, Putin vai designadamente defender uma aliança internacional com o Presidente sírio Bashar al-Assad, contra o Daesh - e a França quer ter uma palavra a dizer nestas negociações sobre o futuro do país.

O ataque aéreo francês contra um campo dos jiadistas terá tido sobretudo este objetivo “diplomático”. François Hollande garantiu, em Nova Iroque, que os ataques franceses irão continuar “nas próximas semanas, se for necessário”.