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Dada como morta há 31 anos, mulher alemã afinal estava viva

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Tinha preparado metodicamente o seu desaparecimento e viveu o tempo todo sem documentos pessoais nem conta bancária. O pai morreu sem saber a verdade

Luís M. Faria

Jornalista

Uma mulher alemã que desapareceu há 31 anos e já estava dada como morta reapareceu numa cidade diferente do país. O caso, que foi descoberto após a mulher reportar um assalto ao seu apartamento, tinha chegado a dar origem à condenação de um homem por assassinato, além de uma busca nacional que chegou a incluir programas de televisão tipo Crimewatch.

Em 1984, Petra Pazsitka era estudante de informática na cidade de Braunschweig. Um dia apanhou um autocarro e desapareceu. Soube-se agora que havia planeado tudo, alugando secretamente um apartamento e pondo de parte milhares de marcos para sustentar a sua nova vida. Na altura, deixou os pais desesperados. E um criminoso que antes violara e matara uma menina de 14 anos confessou igualmente ter morto Petra (mais tarde retirou a confissão).

Ao longo de três décadas, Petra viveu em várias cidades alemãs, sem segurança social, documentos pessoais ou conta bancária. Como pagava tudo em dinheiro e ninguém lhe pedia papéis, conseguiu manter a sua vida secreta. Mas no dia em que chamou a polícia em Dusseldorf, onde agora reside, e lhe exigiram identificação, acabou por contar a verdadeira história.

As autoridades dizem que não a vão acusar de nada. Não há crime envolvido, pois Petra não falsificou documentos. Ela recusa explicar por que motivo fez aquilo que fez e mantém a decisão de não querer contactos com a mãe e o irmão. Quanto ao pai, morreu há uns anos, convencido de que a filha já não se encontrava neste mundo.