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Catalunha. Projeções confirmam divisão no eleitorado

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Alex Caparros/Getty Images

Independentistas surgem à frente com possibilidade de obter a maioria

Angel Luis de la Calle, enviado a Barcelona

Se os dados do escrutínio real, que serão conhecidos por volta das 22h, confirmarem as impressões das projeções à boca da urna, realizadas logo após o encerramento das assembleias de voto, as forças independentistas terão obtido um triunfo notável nas eleições catalãs de hoje.

Embora se tratasse de eleições regionais, nas quais estava em causa a distribuição dos 135 assentos do parlamento regional, o verdadeiro objetivo da votação, convocada antecipadamente pelo presidente da região, Artur Mas, era conhecer a dimensão autêntica do apoio a uma secessão imediata da Catalunha em relação ao resto de Espanha, isto é, uma declaração unilateral de independência catalã.

Segundo estas projeções iniciais, a soma dos deputados obtidos pelas listas separatistas, Juntos pelo Sim (aliança entre a Convergência Democrática da Catalunha, de centro-direita, e a Esquerda Republicana, que deverá ter 62 a 66 eleitos) e Candidatura de Unidade Popular, 11 a 13 deputados) ultrapassará o limiar de 68 assentos que confere a maioria absoluta. Era o objetivo mínimo fixado pelo líder da fação independentista, Artur Mas, para proclamar vitória nas eleições.

Mas os primeiros sinais vindos das urnas também indicam uma perigosa fratura da sociedade catalã em relação ao seu futuro político. Com mais uns votos num sentido ou no outro, cerca de 50% dos cidadãos desta rica e eficiente comunidade autónoma terão manifestado o desejo de se separarem do resto de Espanha e outros 50% preferirão manter-se naquele país. Gerir esta divisão surge como um dos mais duros desafios dos futuros governantes catalães, a quem espera a árdua tarefa de legitimar uma possível secessão contra a opinião de metade da população.

Ainda à espera da contagem oficial, as projeções refletem uma queda estrepitosa do Partido Popular (conservador, no Governo central), que poderá perder 10 deputados em relação às anteriores eleições, de 2012, e uma subida meteórica dos Cidadãos (centro-direita anti-independência), que passam a ser a segunda força política catalã. Os socialistas (PSC) obterão um resultado bastante satisfatório e o Podemos, que patrocinou a lista Catalunha Sim é Possível, conquista uma posição discretíssima, sem ter conseguido passar as suas mensagens ao eleitorado.

A participação foi muito alta, superior a 70%, mas a mobilização de última hora parece ter beneficiado, sobretudo, as teses independentistas..