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Catalunha vota em eleições históricas

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Apoiantes da plataforma Junts pel Sí, em Barcelona

ALBERTO ESTEVEZ/EPA

É o dia do tudo por tudo na região autonómica espanhola para os que defendem a desunião com Espanha. A lista do atual presidente Artur Mas é a mais bem colocada para vencer, só não se sabe se conseguirá maioria absoluta

Mais de cinco milhões de catalães estão aptos a votar hoje nas eleições autonómicas da Catalunha, consideradas históricas, uma vez que o seu desenlace poderá iniciar uma batalha pela independência na região.

Todas as sondagens dão a vitória à plataforma de dois partidos Junts pel Sí - Convergència e Esquerra Republicana -, liderada pelo atual presidente Artur Mas. A maioria dos inquéritos aponta mesmo para uma tangente à maioria absoluta, mas só mais tarde tudo será desvendado, quando as urnas fecharem às 18h de Portugal.

Os debates em torno da independência dominaram toda a campanha, pelo que este sufrágio simboliza o tudo por tudo dos partidos independentistas. O resultado que obtiverem permitirá aferir o verdadeiro apoio dos catalães aos planos secessionistas. Junts pel Sí lançou o lema “O voto da tua vida”, sublinhando que esta é uma ocasião histórica para conquistar a independência.

A verificar-se um cenário de maioria no Parlamento catalão - 68 dos 135 assentos parlamentares - será mais viável uma declaração unilateral de independência no período de 18 meses. Madrid já avisou que vai bloquear esta pretensão.

As sondagens sugerem que a maioria dos catalães são a favor da realização de um referendo à independência, mas parecem divididos no que respeita a separarem-se de Espanha.

A presença ou não da Catalunha na União Europeia é um dos aspetos chave que têm dividido o eleitorado, com as sondagens a demonstrarem que o voto favorável à independência sofreria um precalço caso significasse a exclusão da união.

Neste campo, o Governo espanhol contou com o apoio de vários líderes internacionais que se manifestaram contra os planos de secessão catalães, entre eles o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente norte-americano, Barack Obama.

Muito falada foi também a “gaffe” do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, que demonstrou estar muito mal informado sobre os fundamentos da nacionalidade inscritos na Constituição espanhola, numa entrevista concedida na terça-feira à rádio espanhola Onda Cero.

O aparente desconhecimento de Rajoy foi motivo de chacota nas redes sociais - satirizado numa cena dos Simpsons - e aproveitado como arma de campanha, ao ponto da entrevista radiofónica se ter convertido num anúncio eleitoral da lista de Artur Mas.

O Junts pel Sí defende que os catalães poderão continuar a fazer parte da UE caso decidam separar-se de Espanha, porque a nacionalidade espanhola lhes confere, automaticamente, a cidadania comunitária.

No editorial deste domingo, o diário espanhol “El País” apela ao voto nestas eleições, comparando-as a uma “plataforma através da qual será possível clarificar fórmulas e propostas que superem os duros desencontros do último decénio e restabeleçam a confiança”.

O jornal começa por afirmar que não é “partidário da independência da Catalunha”, mas defende que é desejável que exista uma “forte vontade” dos cidadãos residentes na Catalunha de “encherem as urnas, conscientes de que se inicia um tempo novo”.