Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Deputados de parlamentos europeus vão acompanhar eleições na Catalunha

  • 333

ANDREA COMAS

Quinze deputados de onze países europeus e da América Latina vão acompanhar as eleições autonómicas na região catalã. O convite partiu do Conselho da Diplomacia Pública da Catalunha. O ato eleitoral foi convertido num "referendo de facto" sobre a independência

"O objetivo é que [estes parlamentares] possam seguir as atividades eleitorais de 27 de setembro, falar com vários atores envolvidos [no processo] e reportar as suas observações nos seus respectivos países", indicou a Diplocat (acrónimo para Conselho da Diplomacia Pública da Catalunha) num comunicado à imprensa.

A Diplocat foi criada em novembro de 2012 para constituir uma rede de catalães no exterior que ajudem a promover o processo soberanista do Governo Regional da Catalunha (Generalitat). A entidade funciona com fundos do orçamento público da Catalunha e é um consórcio formado pela Generalitat, a Câmara Municipal de Barcelona (na altura ainda ainda governada pelo partido que apoia o presidente catalão, Artur Mas), as autoridades provinciais [Diputació] de Barcelona e várias empresas privadas.

De acordo com a Diplocat, deputados dos parlamentos da Alemanha, Argentina , Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Irlanda, Suécia, Reino Unido e Uruguai manterão encontros com representantes do governo regional catalão, académicos e porta-vozes dos partidos políticos e vão mesmo assistir ao encontro de futebol de hoje entre o FC Barcelona e o Las Palmas, para a 6.ª jornada da Liga espanhola.

No dia das eleições, os parlamentares serão divididos em grupos e visitarão cerca de 30 mesas de voto em várias cidades e vilas da Catalunha. Também assistirão ao fecho das urnas e acompanharão os resultados das eleições a partir do Parlamento catalão. No grupo de parlamentares convidados contam-se quatro eurodeputados (da Bélgica, Reino Unido/País de Gales, Escócia e Suécia), nove deputados nacionais e dois deputados regionais.

No domingo, 5,5 milhões de catalães vão às urnas para escolher os deputados ao parlamento regional da Catalunha, que posteriormente votarão para eleger um novo presidente e do governo regional (Generalitat). No entanto, duas formações - a plataforma Junts pel Sí (que integra a Esquerra Republicana Catalana e CDC, do presidente Artur Mas) e a CUP (Candidatura de Unidade popular, esquerda radical) - consideram que quem votar nestes dois partidos está a dizer "sim" à independência. Os restantes partidos - Ciudadanos, Podemos (na sua versão catalã "Sí que es pot"), o PP da Catalunha, o Partido Socialista da Catalunha e a Unió Democratica de Catalunya estão contra esta via.

A Junts pel Sí declarou que se obtiver maioria absoluta (incluindo com o apoio da CUP) iniciará um processo de negociações com Espanha e a UE para a independência da Catalunha, num prazo de 18 meses.