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Papa apela a reforma do Conselho de Segurança da ONU

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ANDREW KELLY / REUTERS

Solene e magnânimo. Assim se apresentou Francisco em Nova Iorque, esta tarde, no seu primeiro discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde instou os líderes presentes a reformar a instituição criada há 70 anos. A começar pelo Conselho de Segurança

O Papa Francisco defendeu esta sexta-feira a aplicação, “sem segundas intenções”, da Carta das Nações Unidas, porque, caso contrário, abre-se uma “caixa de Pandora de consequências incontroláveis”.

Discursando em espanhol perante a Assembleia-Geral, em Nova Iorque, o chefe da Igreja Católica lembrou que “a história dos últimos 70 anos, desde a fundação das Nações Unidas, mas sobretudo dos primeiros 15 anos do terceiro milénio, revela as consequências positivas da absoluta aplicação do direito internacional, e o seu contrário quando tal não acontece”.

Citando o documento fundador da ONU, o Papa apelou às nações para limitarem os seus poderes. “Nenhum indivíduo ou grupo poderá considerar-se absoluto, permitindo-se passar por cima da dignidade e dos direitos de outros indivíduos e grupos”, disse Francisco.

O bispo de Roma defendeu ainda que as Nações Unidas têm de fazer mais para aumentar a equidade entre os seus membros, afirmando: “É necessário reformar e adaptar [esta instituição] para atingir o seu grande objetivo: garantir a todos os países, sem exceção, uma partilha e uma influência genuína nos processos de tomada de decisão.”

“Esta necessidade de uma maior equidade, vale especialmente para os organismos com efetiva capacidade executiva, como é o caso do Conselho de Segurança”, exemplificou.

Composto por 15 membros, cinco dos quais têm assento permanente (EUA, França, Reino Unido, Rússia e China), sendo os demais eleitos pela Assembleia Geral para mandatos de dois anos, é o Conselho de Segurança que decide, por exemplo, sobre eventuais intervenções militares. As suas resoluções têm de ser acatadas pelos restantes Estados.

Interrompido por diversas vezes pelos aplausos das centenas de presentes, o Papa insistiu, já no final da sua intervenção, no papel da ONU: “A casa comum de todos os homens deve continuar a levantar-se sobre uma reta compreensão da fraternidade universal e sobre o respeito e a sacralidade de cada vida humana, de cada homem e mulher.”