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Tragédia em Meca: pelo menos 717 mortos devido a esmagamento

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AMEL PAIN / EPA

Mortes ocorreram quando os peregrinos, que se encontravam no local onde levam a cabo o ritual denominado “Apedrejamento do Demónio”, entraram em debandada e foram caindo uns em cima dos outros

Pelo menos 717 pessoas morreram e 850 ficaram feridas esta quinta-feira de manhã, devido a uma debandada ocorrida em Mina, próximo da cidade sagrada de Meca, segundo os últimos dados apresentados pela agência Reuters via Twitter.

Não se sabe o que terá provocado a debandada dos peregrinos que se encontravam em Mina para levar a cabo o “Apedrejamento do Demónio”, ritual em que atiram pedras contra pilares que representam o Demónio por ocasião do feriado religioso Eid al-Adha. A debandada que fez com que muitas pessoas acabassem por cair e morressem esmagadas ocorreu junto à área onde o ritual ocorreu.

As autoridades sauditas indicaram que a tragédia ocorreu quando dois grandes grupos de peregrinos se preparavam para levar a cabo um último ritual e se encontraram na interseção de duas estradas

Dois centros médicos foram abertos em Mina para dar assistência aos feridos, 220 ambulâncias e mais de 4000 trabalhadores de serviços de emergência foram enviados para o local. Centenas de feridos foram transportados para quatro hospitais.

Irão acusa autoridades sauditas de negligência

Entre as vítimas mortais encontram-se 43 cidadãos iranianos, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país. O Executivo do Irão acusa as autoridades sauditas de negligência e já convocou uma reunião de emergência.

“Não podemos, de modo algum ser indiferentes a este comportamento irresponsável da Arábia Saudita. Trata-se de um assunto que será tratada por via diplomática”, declarou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Hossein Amir Abdollahian, citado pela Reuters.

Segundo o governante iraniano, as autoridades da Arábia Saudita são responsáveis pelo incidente, devem esforçar-se nesta altura para tomarem “medidas eficazes“ e “imediatas” para gerir a crise existente, “proporcionando segurança para os peregrinos", declarou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão.

O chefe da organização hajj do Irão relatou que dois caminhos tinham tinha sido encerrados próximo da cena onde ocorreu o incidente. “Os motivos eram desconhecidos. As autoridades não deram qualquer explicação”, sublinhou.

Três milhões de peregrinos no local

Cerca de três milhões de muçulmanos estão a participar na peregrinação que terminará em Meca. Situada cerca de 10 quilómetros a este de Meca, Mina fornece acomodação temporária para dezenas de milhares desses peregrinos.

O incidente ocorre menos de duas semanas depois da queda de um guindaste na zona da Grande Mesquita de Meca ter provocado a morte de pelo menos 111 pessoas e ferido 394. Foi no passado dia 11 de setembro que a grua caiu no terceiro andar da Grande Mesquita antes da oração das 18h30 locais (16h30 em Lisboa), quando a Mesquita se encontrava repleta de fiéis.

Uma investigação preliminar solicitada pelo governador de Meca, o príncipe Khaled al-Faisa, indicou que o incidente foi causado por uma tempestade. Mas as autoridades sauditas também foram acusadas de negligência.

Ao longo dos anos as peregrinações a Meca têm sido marcadas por diversos acidentes fatídicos, alguns dos quais ocorridos em Mina.

[Notícia atualizada às 15h11]