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Quanto vai receber o ex-patrão da VW?

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O reinado de Martin Winkerton à frente da VW chega ao fim, seis meses apenas após ter começado.

Alexander Koerner/GETTY

Martin Winterkorn poderá receber mais de 28 milhões de euros de reforma, além de uma indemnização milionária, caso não seja considerado responsável pelo escândalo da Volkswagen

Esta sexta-feira será um dia crucial para o futuro de Martin Winterkorn, o presidente do grupo automóvel alemão que se demitiu na tarde de quarta-feira na sequência do escândalo da falsificação das emissões dos motores diesel nos EUA. Da reunião do conselho de supervisão da Volkswagen sairá o veredicto que, eventualmente, permitirá a Winkerton uma reforma dourada.

Serão mais de 28,6 milhões de euros, bem como vários milhões de indemnização. As contas são da agência Bloomberg que toma por base para as estimativas o relatório anual do grupo Volkswagen. O mínimo para o cálculo da Bloomberg corresponde ao montante da pensão acumulada por Winterkorn desde que assumiu funções na liderança do grupo em 2007.

Remunerações de 16,6 milhões em 2014

Segundo a Bloomberg, àquele montante acresce uma indemnização milionária equivalente a “dois anos de salários”. Só em 2014, o ex-presidente do grupo VW recebeu remunerações avaliadas em 16,6 milhões de euros, salienta a agência.

Na quarta-feira ao apresentar a demissão, o presidente da VW não se considerou culpado “ de nenhuma falta”, mas afirmou “assumir a responsabilidade” do escândalo de falsificação da emissão de gases em cinco modelos do grupo à venda nos EUA.

Para receber este “pacote” milionário há uma condição: Martin Winterkorn não pode ser considerado responsável pelos supervisores do grupo. Mas até isso parece bem encaminhado. O comité executivo do conselho de supervisão emitiu um comunicado na tarde da demissão de Winterkorn, segundo o qual o presidente não estava a par “da manipulação dos dados das emissões de gases”.

Solução interna para a sucessão

O sucessor de Martin Winterkorn deverá ser escolhido entre os 12 presidentes das marcas que integram o grupo e os analistas adiantam que mais demissões são esperadas na administração do grupo.

O reinado de Winterkorn parece assim ter chegado ao fim, apenas seis meses depois de ter tomado as rédeas do grupo. Winkerton assumiu a liderança ao sair vitorioso de uma guerra de poder contra Ferdinand Piech, um histórico do grupo alemão. Após a derrota de Piech, neto de Ferdinand Porsche, inventor do famoso VW carocha, Winterkorn assumiu a presidência do grupo com o objetivo de o tornar o maior construtor mundial. Mas a estratégia multimarca adotada não parece também ter corrido bem.

Para já, a acusação de ter falsificado as emissões de gases poluentes em 11 milhões de automóveis por intermédio de um sofisticado software, traduziu-se numa perda em bolsa de quase 30 milhões de euros. Além disso, acresce uma eventual multa avaliada em 18 mil milhões de euros aplicada pelas autoridades federais americanas. O grupo anunciou entretanto a constituição de uma provisão de 6500 milhões de euros por causa do escândalo.