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Papa chegou aos EUA, discursou e não fugiu aos temas delicados

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Barack Obama e o Papa Francisco, durante uma cerimónia de boas vindas, na Casa Branca

JONATHAN ERNST/REUTERS

O líder da Igreja Católica iniciou esta quarta-feira uma visita de seis dias aos Estados Unidos. No primeiro discurso, Francisco recordou que é filho de imigrantes e que é urgente enfrentar o problema das alterações climáticas

Margarida Mota

Jornalista

No seu primeiro discurso em solo norte-americano, o Papa Francisco abordou, esta quarta-feira, algumas das questões que, em fase de pré-campanha para as presidenciais do próximo ano, mais dividem os candidatos, e a sociedade norte-americana em geral.

“Sr. Presidente, considero encorajador que esteja a propor uma iniciativa no sentido da redução da poluição do ar. Parece-me claro que as alterações climáticas são um problema que não pode ser deixado para as futuras gerações”, defendeu o Sumo Pontífice, de 78 anos, apoiando, explicitamente, a política ambiental adotada pelo Presidente Barack Obama.

“Quando está em causa a necessidade de cuidarmos da nossa ‘casa comum’, vivemos num momento crítico da História. Ainda temos tempo de fazer as mudanças necessárias para criarmos um desenvolvimento sustentável e integral”, disse o chefe do Vaticano.

O Papa discursou na Casa Branca, numa cerimónia de boas-vindas realizada no exterior do edifício e que contou com a presença de 11 mil convidados. Numa intervenção marcadamente política, Francisco recordou que, ele próprio, nascido na Argentina, é “filho de uma família de imigrantes [italianos]”, abordando desta forma um outro tema delicado nos Estados Unidos. “Estou feliz por ser um convidado neste país, que foi construído por famílias como a minha.”

O líder da Igreja Católica chegou aos Estados Unidos, na terça-feira, vindo diretamente de Cuba. Na intervenção na Casa Branca, o Papa não se referiu ao processo político em curso de aproximação entre Estados Unidos e Cuba. Esse papel coube a Obama, que agradeceu ao Papa o papel desempenhado pelo Vaticano nesse dossiê: “Santo Padre, estamos gratos pelo seu inestimável apoio em relação ao nosso novo recomeço com o povo cubano, que mantém a promessa de melhores relações entre os dois países, de uma maior cooperação através de todo o hemisfério, e uma vida melhor para o povo cubano”, disse o chefe de Estado norte-americano.

Francisco ficará seis dias nos Estados Unidos. Durante a visita, tem previstos mais dois discursos: um no Congresso, na quinta-feira, e outro na sede das Nações Unidas, na sexta-feira.