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Menos um preso em Guantánamo

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Situado na ilha de Cuba, o centro de detenção de Guantánamo foi inaugurado a 11 de janeiro de 2002.

© Reuters

Foi dos primeiros suspeitos de terrorismo a ser enviado para Guantánamo e está agora de regresso ao seu país natal. O saudita Abdul Shalabi, ex-guarda-costas de Osama bin Laden, é o último de 655 detidos que já foram libertados ou transferidos daquele polémico centro de detenção. Restam ainda 114

Margarida Mota

Jornalista

Os Estados Unidos anunciaram a transferência de mais um detido em Guantánamo para a Arábia Saudita. Abdul Shalabi, de 39 anos, é descrito como um ex-guarda-costas de Osama bin Laden, capturado por forças paquistanesas em dezembro de 2001, quando tentava cruzar a fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, após fugir das montanhas de Tora Bora, onde o líder da Al-Qaeda estava refugiado.

Shalabi foi levado para Guantánamo em janeiro de 2002, tendo-se tornando assim um dos primeiros detidos naquele centro de detenção para suspeitos de terrorismo mandado abrir por George W. Bush.

Em abril deste ano, representantes legais de Shalabi instaram os Estados Unidos a transferi-lo para a Arábia Saudita “tão rápido quanto possível” e apelaram a que Shalabi “não fosse considerado uma ameaça significativa e continuada à segurança dos Estados Unidos”. Shalabi estava em greve de fome desde 2005.

A 15 de junho seguinte, as autoridades norte-americanas determinaram que a detenção de Shalabi “não era mais necessária” à segurança dos EUA e manifestaram a sua confiança no “programa de reabilitação” saudita para cidadãos implicados em casos de terrorismo.

Washington realçou ainda a coordenação feita com a Arábia Saudita no sentido de “garantir que esta transferência decorra de forma coerente com as medidas de segurança e de tratamento humano adequadas”.

Apenas um foi julgado

Shalabi foi o 655º preso a ser libertado ou transferido daquele centro situado na base naval que os EUA têm na ilha de Cuba. Para além destes 655, um outro detido foi transferido para ser julgado nos EUA (o tanzaniano Ahmed Khalfan Ghailani, condenado a prisão perpétua em 2011) e nove morreram (o último o iemenita Adnan Latif, em 2012).

Ao todo, foram detidas em Guantánamo 779 pessoas. Ainda estão presos 114 presos, 65 dos quais são iemenitas.

Durante 2015, já foram transferidos sete detidos: em janeiro, quatro iemenitas foram enviados para o sultanato de Omã e um quinto para a Estónia; em junho, outro iemenita foi transferido para Omã; e já este mês, foi repatriado em marroquino.

O encerramento de Guantánamo — centro aberto a 11 de janeiro de 2002, na sequência do 11 de Setembro — é uma das principais promessas eleitorais de Barack Obama. As próximas eleições presidenciais norte-americanas, às quais Obama já não poderá concorrer, realizam-se a 8 de novembro do próximo ano.