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CEO da Volkswagen demite-se. “Estou chocado e espantado”

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MICHAELA REHLE/ Reuters

Martin Winterkorn apresentou a demissão depois de no fim de semana ter sido conhecido o escândalo da manipulação das emissões de gases poluentes em mais de 11 milhões de veículos a gasóleo

Martin Winterkorn, CEO da Volkswagen, apresentou esta quarta-feira a já quase certa e inevitável demissão. Em comunicado, o alemão de 68 anos anunciou que deixa a empresa na sequência da polémica sobre a manipulação das emissões de gases poluentes nos veículos a gasóleo.

“Estou chocado com eventos dos últimos dias. Mas, sobretudo, estou espantado com facto de ter sido possível esta escala de má conduta dentro do Grupo Volkswagen. Como CEO, aceito a responsabilidade pelas irregularidades encontradas nos automóveis a gasóleo”, refere num comunicado citado pelo “The Guardian”.

A apresentação da demissão de Winterkorn acontece um dia após o próprio ter garantido que não abandonaria o cargo. Então o que mudou? Segundo avança o “The Guardian”, o conselho geral da Volkswagen reuniu-se esta quarta-feira, facto que poderá ter selado o destino do CEO.

Martin Winterkorn, que estava no comando da empresa há uma década, justifica a decisão com a necessidade “de um novo começo” para a marca. “Sempre me conduzi pelo desejo de servir esta empresa, especialmente os nosso clientes e funcionários. A Volkswagen foi e sempre será a minha vida.”.

Agora, “o processo de esclarecimento e transparência deve continuar”, para que a empresa possa recuperar a “confiança” perdida: “Estou convencido que o grupo Volkswagen e toda a equipa vão ultrapassar esta grave crise”.

A polémica surgiu quando a Agência de Proteção do Meio Ambiente (EPA) dos Estados Unidos acusou a marca de falsear os dados relativos ao desempenho dos motores diesel de vários dos seus veículos vendidos no mercado norte-americano. A verdade, conforme admitiu a Volkswagen, é que o fabricante instalou deliberadamente em 11 milhões de veículos um software com o intuito de disfarçar níveis de poluentes até 40 vezes acima do permitido.

Além do pedido de desculpa que a empresa se viu forçada a fazer, vários governos pronunciaram-se para exigir a abertura de investigações nos seus países. Até a chanceler Angela Merkel pediu publicamente “transparência total” no apuramento de responsabilidades.

No último domingo, Martin Winterkorn disse o que já se sabia: sim, a empresa falseou os dados. Disse estar "profundamente arrependido" por ter quebrado a confiança do público e garantiu que as vendas dos modelos de carros envolvidos foram suspensas. Mas a marca não especificou quantos modelos estarão afetados pela decisão.

Com a demissão de Martin Winterkorn começam a surgir nomes para assumir as rédeas da Volkswagen. Matthias Mueller, que lidera a Porsche, é mais falado para o cargo. Os media alemães dizem que o novo patrão pode ser anunciado já esta próxima sexta-feira, dia em que há nova reunião do conselho geral da empresa.

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