Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

UE vai tentar encontrar solução para refugiados sem sistema de quotas

  • 333

Migrantes controlados pela polícia hungara junto à fronteira com a Croácia

GYORGY VARGA/EPA

Após a forte oposição dos países do leste europeu, a proposta do sistema de quotas parece ter ter sido colocada de lado. Os Médicos Sem Fronteiras consideram que as negociações na União Europeia estão “desligadas da realidade”

Os ministros da Administração Interna da União Europeia (UE) têm esta terça-feira a sua segunda reunião de emergência em oito dias. O encontro antecede a cimeira extraordinária de líderes europeus, da próxima quarta-feira, onde vão procurar chegar a acordo sobre a reinstalação de refugiados.

Após a República Chega, Hungria e Eslováquia terem manifestado a sua total oposição a um sistema de quotas, e a Polónia, Letónia e Estónia permanecerem céticas em relação a este assunto, o Executivo comunitário deverá agora tentar encontrar outra solução.

Na anterior reunião ministerial, a 14 de setembro, os responsáveis dos 28 Estados-membros adotaram um plano para a recolocação de 40 mil refugiados que haviam chegado a Itália e à Grécia, mas não conseguiram-se entender quanto aos restantes 120 mil.

“É essencial estabelecer-se uma política de migração credível”, escreveu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, numa mensagem enviada aos líderes europeus.

Diversos países são a favor de avançar para medidas que obtenham a aprovação da maioria, caso não se chegue a uma decisão unânime.

O impasse promete persistir e a discussão está afastada do problema imediato do controlo de fronteiras nos países do leste da Europa e dos Balcãs. Só esta terça-feira, mais de 6 mil pessoas podem chegar à Grécia.

“As negociações estão completamente desligadas da realidade”, comentou Aurelie Ponthieu, dos Médicos Sem Fronteiras, em declarações à agência Associated Press.

Guterres diz que não é dramático Portugal receber 4 mil pessoas

A chegada este ano de 500 mil pessoas, sobretudo à Grécia e a Itália, criou divisões entre os países do antigo Bloco de Leste e os da Europa ocidental no modo como lidar com os migrantes.

O Parlamento hungaro aprovou, na segunda-feira, uma nova legislação que reforça o poder e a presença das Forças Armadas na fronteira, autorizando a que disparem sobre migrantes.

Grupos de assistência humanitária tem apelado à UE para que crie corredores humanitários, que permitam às pessoas entrar no velho continente, enquanto as Nações Unidas pretendem que sejam recebidos no espaço europeu refugiados sírios, assim como de outros países do Médio Oriente e da Turquia.

O alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, apelou a uma “resposta solidária” da UE, considerando que no caso de Portugal não será dramático o país receber quatro mil pessoas.

“Importa que o Governo e os municípios possam enquadrar a atividade e garantir a integração dos quatro mil migrantes. É um problema que tem de ser resolvido, mas não é um impacto dramático na sociedade portuguesa”, declarou Guterres, numa entrevista transmitida pela RTP na segunda-feira à noite.

  • A Europa “manta de retalhos” recusa-se a agir unida

    Preparada para acolher um milhão de refugiados, a Alemanha volta a controlar as fronteiras para dosear o fluxo de entrada de refugiados que continua a receber. Outros países, que recusam as quotas de refugiados calculadas por Bruxelas, fecham as fronteiras e o espaço Schengen fica ameaçado. Preveem-se obstáculos reforçados para quem procure proteção na Europa rica