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Papa Francisco pede aos cubanos para servirem as pessoas e não as ideologias

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CLAUDIA DAUT

Francisco estará em Cuba até terça-feira, com passagens por Havana, Holguin e Santiago, onde irá encontrar-se com jovens, famílias, bispos e, provavelmente, com líder histórico do regime, Fidel Castro

Helena Bento

Jornalista

O Papa Francisco celebrou este domingo uma missa em Havana e apelou aos cubanos para cuidarem uns dos outros independentemente das ideologias de cada um. "O serviço aos outros nunca é ideológico, porque não serve as ideias, mas pessoas".

Perante milhares de pessoas reunidas na Praça da Revolução, em Havana (onde João Paulo II e Bento XVI discursaram em 1998 e 2012, respetivamente), incluindo vários líderes político, como Raúl Castro, Francisco transmitiu uma mensagem espiritual, sem se referir diretamente à situação política da ilha. Não deixou, apesar disso, de criticar "aqueles que fingem servir os outros mas abusam do poder".

"Esses sobem as escadas mais rápido para ficar com cargos que trazem certos benefícios", disse, citado pelo "Washington Post". A declaração terá sido entendida por muitos como uma crítica à cultura burocrática do socialismo cubano, refere o jornal norte-americano.

Enquanto falava, vários opositores do Governo que aparentemente tentavam entregar "flyers" aos que assistiam à celebração da missa foram detidos por agentes de segurança mobilizados para o local. Segundo o "Washington Post", vários dissidentes cubanos contaram que dezenas de colegas seus foram também detidos a caminho da praça.

Naquela que foi a sua primeira missa em Cuba, o Papa Francisco apelou ao sucesso das negociações de paz entre o governo colombiano e a guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). “Por favor, não temos o direito de nos permitirmos a mais um fracasso no caminho da paz e da reconciliação”, disse, referindo-se às conversações entre as duas partes para acabar com um conflito de mais de meio século.

Segundo Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, à chegada a Cuba, Francisco foi saudado nas ruas de Havana por cerca de cem mil pessoas, tendo ainda instado Cuba e os Estados Unidos "a avançarem" na normalização das relações bilaterais e a "desenvolverem todas as suas potencialidades". "O mundo precisa de reconciliação nesta atmosfera de terceira guerra mundial que estamos a viver", disse, citado pela agência Efe.

Francisco estará em Cuba até terça-feira, com passagens por Havana, Holguin e Santiago, onde irá encontrar-se com jovens, famílias, bispos e, provavelmente, com líder histórico do regime, Fidel Castro. O encontro entre ambos ainda não tem data marcada.