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Hungria e Croácia trocam acusações enquanto a crise de refugiados se intensifica

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Um grupos de refugiados espera para poder embarcar num comboio, na estação ferroviária de Tovarnik, na Croácia

STOYAN NENOV/REUTERS

No sábado, cerca de 13 mil refugiados chegaram à Áustria e 2 mil entraram na Croácia - que tem reencaminhado os refugiados para a Hungria, motivando críticas e acusações entre os dois países. Os líderes europeus voltam a ter encontro na próxima quarta-feira, dia 23, para discutir uma solução para a distribuição de refugiados pelos vários Estados-membros

Os líderes da Hungria e Croácia trocaram críticas e ameaças este sábado, aprofundando o problema que a Europa ainda não conseguiu resolver. Ao mesmo tempo, milhares de refugiados continuam a atravessar o Mediterrâneo, enquanto outros aguardam por uma solução, acumulando-se junto às fronteiras.

Desde terça-feira, mais de 20 mil refugiados entraram na Croácia, depois de as autoridades húngaras terem criado uma vedação de metal e terem usado gás lacrimogéneo e canhões de água na sua fronteira com a Sérvia.

Só na noite de sábado pelo menos 2 mil refugiados voltaram a cruzar a fronteira entre a Sérvia e a Croácia, com a esperança de poderem seguir viagem rumo à Alemanha, informou este domingo a televisão pública croata HTV, citada pela Lusa.

Também à Áustria chegaram cerca de 13 mil refugiados, só no sábado, segundo os dados da Cruz Vermelha Internacional, citados pelo diário britânico “The Guardian”.

Críticas e divisões aprofundam-se

Os líderes europeus, que estão divididos, têm uma reunião marcada para quarta-feira, 23 de setembro, para uma nova tentativa de conseguir distribuir 160 mil refugiados entre os vários países.

Porém, o governo húngaro, chefiado por Viktor Orban, defende uma "Europa cristã" e acusa a Croácia de "violar a soberania da Hungria", ao enviar-lhes refugiados em autocarros e comboios. Nesse cntexto, a Hungria ameaça vetar o acesso da Croácia ao espaço Schengen.

"O governo da Croácia tem mentido continuamente perante os húngaros, os croatas, a União Europeia e os seus cidadãos", disse o ministro húngaro Peter Szijjarto, numa conferência de imprensa, citado pela Reuters. "Que tipo de solidariedade europeia é esta?"

Por seu lado, o primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, disse que, ao contrário da Hungria, não iriam usar "força brutal" para manter as pessoas fora, nem o governo as vai obrigar a ficar se não quiserem. Ou seja, os autocarros e comboios continuarão a seguir para a Hungria, segundo disse.

"Forçámo-los [a aceitar os refugiados], mandando para lá as pessoas. E vamos continuar a fazê-lo."

A imprensa croata adiantou que a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu ao Governo da Croácia para que retenha os refugiados no país por um período determinado.

Segundo a imprensa croata, citada pela EFE, Merkel falou por telefone com o seu homólogo croata na sexta-feira, mas este terá rejeitado o pedido, alegando que a Croácia não pode reter as pessoas contra a sua vontade.

500 mil refugiados desde o início do ano

Ao mesmo tempo, continuam a chegar barcos com refugiados depois de atravessarem o Mediterrâneo. E, este domingo, estão em curso buscas ao largo da ilha grega de Lesbos para encontrar 26 migrantes e refugiados que desapareceram, depois de a embarcação onde seguiam ter-se afundado no sábado, segundo disseram as autoridades portuárias à AFP, citadas pela Lusa.

As mesmas fontes referiram que 20 pessoas que seguiam a bordo puderam ser socorridas, mas que a embarcação afundou com outras 26 a bordo. Já na passada semana pelo menos 34 pessoas, entre as quais 15 crianças e bebés, morreram num outro naufrágio no mar Egeu, ao largo de Farmakosini, a 15 quilómetros da costa turca.

Quase 500 mil pessoas já cruzaram o Mediterrâneo para a Europa desde o início deste ano. Têm aumentado os casos de travessia da Turquia para a Grécia, e depois passando pelos países da antiga Jugoslávia, entre os quais a Croácia e a Eslovénia, ambos membros da União Europeia.

A grande maioria dos refugiados quer chegar à Alemanha, que disse poder receber 800 mil este ano.