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Eleições na Grécia. Otimismo político contrasta com ceticismo dos eleitores

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Os gregos já estão a votar desde as sete da manhã, hora de Atenas

ALKIS KONSTANTINIDIS/REUTERS

As primeiras horas de votação na Grécia foram calmas e sem filas. Um aumento da abstenção é um dos fatores que poderá influenciar o resultado eleitoral. Alexis Tsipras e Vangelis Meimarakis já votaram

Os líderes dos dois partidos que disputam a vitória nas legislativas antecipadas deste domingo na Grécia votaram durante a manhã em duas escolas da capital grega e deixaram mensagens de confiança, que contrastam com o ceticismo de eleitores.

"O povo vai dar o seu voto a um governo que vai dar luta, não só na Europa, como dentro do país" nos próximos quatro anos. Nós mostramos que podemos abrir caminhos, mesmo quando não existem", disse Alexis Tsipras - líder do partido de esquerda Syriza e ex-primeiro-ministro, que tenta relegitimar o mandato nestas eleições antecipadas - depois de ter votado no bairro de Kypseli, na zona central de Atenas.

Tsipras, 41 anos - que chegou à assembleia de voto, onde era esperado por muitos jornalistas, acompanhado por um grupo de militantes do partido e por vários seguranças -, afirmou que o povo "tem o futuro nas suas mãos" e abrirá o "caminho para uma nova era", dando "um forte mandato para quatro anos" ao governo.

O líder do partido conservador Nova Democracia (ND), Vangelis Meimarakis, votou no bairro de Maroussi, na zona norte de Atenas e, após votar, lançou críticas ao partido rival, que esteve sete meses no poder, afirmando que "os gregos querem ver-se livres de mentiras e trabalhar para um futuro melhor".

Com menos aparato mediático a aguardá-lo do que Tsipras teve, mas com um grupo de apoiantes mais numeroso e mais exuberante, Meimarakis foi recebido com aplausos e distribuiu cumprimentos e acenos à entrada e à saída da assembleia de voto.

Do otimismo político ao ceticismo dos gregos

O otimismo e confiança obrigatórios no discurso político não encontraram correspondência no estado de espírito de alguns dos eleitores que votaram nas mesmas assembleias de voto que Tsipras e Meimarakis. O denominador comum foi o ceticismo.

"Cumpro o meu dever cívico de votar, mas não tenho qualquer esperança em que estas eleições mudem realmente alguma coisa. Como todos gostaria de ter um governo com estabilidade, mas é apenas isso, um desejo, não é uma expectativa", disse à Lusa Matina Poala, que votou momentos antes de Tsipras.

Athanasios é estudante e diz ter "expectativas muito limitadas" sobre a contribuição destas eleições para melhorar a situação da Grécia.

"Nas anteriores eleições votámos para que houvesse mudança, e nada mudou. Agora duvido que alguma coisa mude também. O Syriza está a jogar um jogo muito perigoso", afirmou.

Athanasios estudou fora da Grécia no programa Erasmus e teve alguns colegas portugueses, que lhe ensinaram algumas palavras, como 'olá, bom dia' e 'obrigado' e que lhe falaram da situação de Portugal, que foi durante muito tempo comparada com a da Grécia.

"Gostava que os gregos tivessem uma atitude mais séria e se unissem como os portugueses para tentarem sair da crise", disse.

E na escola onde votou Meimarakis, Mariana, também jovem, não difere e diz que, "independentemente do resultado das eleições, pouco irá mudar".

"Além disso, apesar de não querer, provavelmente estarei a votar outra vez no ano que vem", acrescentou.

“Nada a esperar destas eleições”

A idade não parece ser fator de influência na opinião, porque Nikos, com idade para ser avô de Mariana, disse à Lusa que "não há nada a esperar destas eleições. A única coisa certa são os impostos", mas mesmo assim ainda adianta que "é preciso mudar de governo" porque é necessária "estabilidade".

O estado de espírito cético dos gregos é também o tema de um 'cartoon' no diário liberal "Ikatimerini" que mostra dois jovens deitados na relva de um parque. Um deles pergunta: "quando é que vamos votar?" e o outro responde: "quando eles acrescentarem ao boletim de voto a opção 'não gosto'".

Estas eleições antecipadas foram convocadas na sequência da demissão de Alexis Tsipras do cargo de primeiro-ministro, em 20 de agosto, depois de perder uma parte da sua bancada parlamentar devido a uma cisão de 25 deputados da ala mais à esquerda do partido, quando o parlamento grego aprovou um novo pacote de austeridade que Tsipras acordou com Bruxelas, recuando nas promessas de que iria acabar com a política de austeridade na Grécia.

Nem o Syriza, nem o ND conseguiram, nas sondagens divulgadas até sexta-feira, chegar perto dos 38% de votos necessários para conseguir uma maioria parlamentar (151 deputados), pelo que a necessidade de formação de um governo de coligação é para já o único resultado eleitoral que é tido como certo.

As primeiras horas de votação foram calmas, sem filas. Um aumento da abstenção é um dos fatores que poderá influenciar o resultado eleitoral, mas diz-se em Atenas que os gregos têm o hábito de votar mais pela tarde.