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Kerry diz que Assad não tem de abandonar imediatamente o Governo da Síria

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Chip Somodevilla

Os ministros da Defesa americano e russo falaram ao telefone na sexta-feira para chegarem a um entendimento relativamente às atividades militares dos dois países na Síria

Helena Bento

Jornalista

O secretário de Estado norte-americano John Kerry disse este sábado que os Estados Unidos podem vir a aprovar uma resolução que permita ao Presidente sírio Bashar al-Assad permanecer durante algum tempo no Governo antes de abandonar o cargo definitivamente.

"Estamos preparados para negociar. Já deixamos bem claro que não queremos impor uma data específica [para a saída de Assad]. Somos flexíveis, não tem de ser no dia um ou no mês um", disse Kerry, citado pelo "Washington Post".

E acrescentou: "Há um processo em que todas as partes têm de chegar para encontrar um entendimento sobre como isso pode ser feito". As declarações foram feitas após um encontro em Londres com o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammon.

Ashton B. Carter, ministro da Defesa americano, e Sergei Shoigu, ministro da Defesa russo, falaram ao telefone na sexta-feira durante cerca de 50 minutos para chegarem a um entendimento relativamente às atividades militares dos dois países na Síria e para discutirem uma eventual cooperação no combate ao autoproclamado Estado Islâmico, não tendo havido, no entanto, quaisquer avanços nessa questão.

Foi a primeira vez que Carter e Sergei Shoigu falaram desde que o ministro da Defesa americano assumiu o cargo em fevereiro deste ano. E a conversa foi também a primeira de uma série de conversações militares planeadas depois de terem sido observadas, há cerca de duas semanas, manobras militares não previstas numa base síria (próxima da cidade portuária de Latakia) que sugerem o reforço da atividade militar russa no país.

Segundo o Pentágono, os russos têm já na Síria 200 fuzileiros navais, sete tanques T-90, 15 peças de artilharia pesada Howitzer, 35 veículos blindados de transporte e alojamento para cerca de 1500 tropas, que chegaram a bordo de 15 aviões de transporte militar.

O Governo de Moscovo, que no início se tinha recusado a admitir que os meios recentemente mobilizados tinham fins militares, já confirmou que eles servirão para apoiar Bashar al-Assad no combate aos terroristas e que a Rússia continuará a apoiar o Presidente sírio como apoiou até agora. Os Estados Unidos temem, no entanto, que o apoio russo ganhe outra dimensão e propósito, até porque o Governo de Moscovo já disse estar pronto para enviar mais tropas para o país caso o pedido lhe seja endereçado.