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Internacional

Hungria constrói nova vedação na fonteira com a Croácia

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Migrantes procuram aquecer-se, junto à estação ferroviária de Beli Manastir, na Croácia, junto à fronteira com a Hungria

BALAZS MOHAI

Barreira junto à Roménia pode ser o próximo passo do Governo húngaro, enquanto o fluxo de migrantes chegado à Croácia nos últimos dias levou o país a encerrar sete das suas oito fronteiras com a Sérvia

Numa nova ação para travar a entrada de migrantes e refugiados no seu país, a Hungria está a construir uma outra vedação de arame farpado, desta vez junto à fronteira com a Croácia, admitindo fazer o mesmo na fronteira com a Roménia.

A nova barreira estender-se-á ao longo de 41 quilómetros e deverá ficar pronta ainda esta sexta-feira, estando a ser erguida por mais de mil soldados.

Depois de barrada a entrada no país a partir da Sérvia, a decisão de levantar outra vedação foi defendida pelo primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, depois de a Croácia se ter tornado uma nova rota para os migrantes que tentam, através da Hungria, chegar aos países onde têm a promessa de ser recebidos, como é o caso da Alemanha.

Esta alternativa, aliás, e o volume de migrantes que passaram a escolhê-la levou a que também a Croácia tenha encerrado sete das suas oito fronteiras com a Sérvia.

As autoridades dizem não ter tido outra escolha, dadas as cerca de 13 mil pessoas entradas no território desde o início da semana. Está esgotada a capacidade de acolher mais gente, sustentam, ainda que mais migrantes tentem chegar à Croácia, partindo da Sérvia em autocarros ou a pé.

Numa iniciativa de solidariedade, mulheres croatas deslocaram-se esta quinta-feira à gare de Ilaca, perto da fronteira com a Sérvia, onde centenas de refugiados embarcavam para a capital, Zagreb, carregadas com pão, bolos feitos em casa, água e produtos para bebé.

“Há 20 anos, éramos nós que estávamos no meio de uma guerra e precisávamos de ajuda”, diz simplesmente um idoso, que também se deslocou à gare, citado pela agência Lusa.

Os líderes da União Europeia (UE) vão reunir-se numa cimeira extraordinária no dia 23, para debater a crise dos refugiados. O encontro acontecerá no dia seguinte a um Conselho de Ministros do Interior e da Administração Interna da UE, também marcado extraordinariamente para debater o problema dos fluxos migratórios e a proposta de distribuição de mais 120 mil refugiados que se encontram na Grécia, Itália e Hungria.