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Reino Unido. Novo líder trabalhista não prevê defender a saída da União Europeia

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As prestações de Jeremy Corbyn na primeira semana após ser eleito têm dado uma imagem moderada, inclusive no ritual parlamentar das perguntas e respostas ao primeiro-ministro

Reuters

Jeremy Corbyn põe como condição que sejam garantidos os direitos laborais e o ambiente

Luís M. Faria

O recém-eleito líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, diz que não prevê fazer campanha em favor da saída do Reino Unido da União Europeia.

Numa entrevista dada esta quinta-feira afirmou: “Acho que vamos conseguir trabalhar com os sindicatos e os grupos sociais em toda a Europa, e com os grupos sociais neste país. Aquilo a que me opunha era a ideia de que David Cameron podia ter dado de que ia desistir dos direitos laborais e do ambiente”, explicou na entrevista à BBC, referindo que até Maastricht (o tratado assinado em 1992) “havia um crescimento da Europa social. Pós-Maastricht, tem sido uma abordagem de mercado livre. Quero ver algo diferente”.

A declaração dá alguma tranquilidade a quem temia que os trabalhistas pudessem perturbar a campanha a favor do “sim” à União Europeia no referendo a ter lugar em 2016. Há quem ache que o verdadeiro objetivo de Jeremy Corbyn é estabelecer uma barra alta em matéria de certos direitos para posteriormente, se eles não ficarem consagrados, dizer que não pode ficar numa Europa assim.

Para já, as prestações do líder trabalhista na primeira semana após ser eleito têm dado uma imagem moderada, inclusive no ritual parlamentar das perguntas e respostas ao primeiro-ministro. Onde costuma haver ambiente de circo, Corbyn introduziu um tom de tranquilidade. Mas, conforme explica o “The Economist”, os conservadores já devem estar a preparar-lhe uma série de armadilhas, às quais um corpo de imprensa nacional quase unanimemente hostil dará o máximo eco.