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FMI volta a recusar dizer se vai participar no terceiro plano de resgate à Grécia

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KARL-JOSEF HILDENBRAND / EPA

A três dias das eleições, mantém-se a incerteza no país. Sondagens recentes apontam para um empate entre partido de centro-direita Nova Democracia e o Syriza

O Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou-se esta quinta-feira disponível para trabalhar com o novo governo grego, independentemente do resultado das eleições legislativas, mas recusou dizer se vai participar no terceiro plano de resgate ao país.

"Trabalhámos com o governo interino e iremos trabalhar com o governo, qualquer que seja o resultado [do escrutínio] deste fim de semana", declarou o porta-voz do FMI Gerry Rice, numa conferência de imprensa, escusando-se, contudo, a dizer quando é que o FMI vai decidir se participa, ou não, no terceiro resgate, no valor de 86 milhões de euros.

A três dias das eleições, mantém-se a incerteza no país. Sondagens recentes apontam para um empate entre o partido de centro-direta Nova Democracia, liderado desde julho por Vangelis Meimarakis, e o Syriza de Alexis Tsipras. Perante este cenário, acredita-se que um governo de coligação será o desfecho mais provável. No próximo domingo, os gregos vão votar pela terceira vez este ano, depois das eleições de janeiro e do referendo de julho.

Panos Trigazis: "no domingo entramos numa nova fase da vida política grega

Panos Trigazis, economista, coordenador de relações internacionais e conselheiro próximo de Alexis Tsipras, disse esta quinta-feira à Lusa que está confiante que os gregos vão ter um governo de longa duração."No domingo ou na segunda-feira haverá um governo grego de longa de duração, para quatro anos e não para alguns meses. Posso garantir que no domingo entramos numa nova fase da vida política grega, porque o Syriza também entrará numa nova fase como partido", referiu.

Querendo demarcar o Syriza do Unidade Popular, partido eurocético que defende o fim da austeridade, o não pagamento da dívida grega e a saída da Grécia do euro, Panos Trigazis disse que este "representa o socialismo antiquado" de "membros do Syriza que nunca perceberam o que é o Syriza e o que é uma esquerda moderna". O Syriza é agora um partido "depurado", é a "esquerda do século XXI", referiu o conselheiro.

Face às críticas que acusam Alexis Tsipras de ter convocado eleições antecipadas para resolver apenas problemas internos, Trigazis afirmou que "era necessária uma renovação do mandato para governar depois de o partido ter perdido a maioria parlamentar e em democracia isso faz-se com eleições".

Líder do Nova Democracia apela a coligação alargada

Também esta quinta-feira, Vangelis Meimarakis, líder do partido de centro-direito que quer chegar ao governo, insistiu na necessidade de haver uma coligação alargada e mostrou-se confiante na vitória do seu partido nas eleições de domingo.

"A minha proposta é formar uma equipa nacional com todos os que quiserem participar", disse Meimarakis, durante o comício de encerramento de campanha do Nova Democracia, realizado na praça Omonia, em Atenas. E acrescentou: "Quem não quiser terá de traçar o seu caminho à margem".

  • “Vamos escolher o menos mau”

    Há desilusão e compreensão na Grécia - em simultâneo e sobre os mesmos protagonistas. “Estamos desiludidos com o Syriza, mas Tsipras pelo menos tentou mudar alguma coisa.” E há observações violentas: “Os únicos indicadores que parecem ter subido foram a taxa de suicídios e o número de sem-abrigo”. Reportagem da Agência Lusa na Grécia junto dos mais jovens, que serão os eleitores provavelmente decisivos nas eleições que aí vêm