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Netanyahu avisa: contra os que atiram pedras, agora é guerra

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Benjamin Netanyahu quer acabar com os ataques com pedras e cocktails Molotov por parte dos palestinianos

MENAHEM KAHANA / EPA

O anúncio, que já vem sendo feito há algum tempo, foi agora reforçado após a morte de um homem israelita que perdeu o controlo do carro onde seguia depois de ser atacado

Luís M. Faria

Jornalista

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu diz que vai endurecer as medidas contra os jovens palestinianos que atiram pedras. O anúncio foi feito após a morte de um judeu de 64 anos, que terá falecido esta terça-feira com um ataque cardíaco depois de perder o controlo do seu carro e bater num poste, tudo porque foi alvo de um ataque com pedras.

Além das pedras, Netanyahu refere também os cocktails Molotov, muito usados contra as forças da ordem nos protestos de rua.

Já em julho tinha sido discutida em Israel legislação que prevê penas pesadas de cadeia e multas para os jovens e os seus progenitores, como castigo para esses atos.

Agora, estão em causa as próprias regras para o comportamento dos militares e polícias no terreno. Em teoria, eles apenas podem disparar a matar quando houver risco de vida. Mas Netanyahu volta a dar a entender – como fez várias vezes nas últimas semanas – que a repressão ia passar a ter as mãos mais livres.

A situação agravou-se com as atuais tensões à volta do Mesquita Al-Aqsa em Jerusalém, com confrontações diárias entre palestinianos e os judeus, que exigem entrar no espaço que para eles é o Templo do Monte, e igualmente sagrado.

Períodos anteriores de violência tiveram o seu rastilho aí, nomeadamente a segunda Intifada, após a visita do então líder da oposição, Ariel Sharon, associado pelos palestinianos aos massacres em campos de refugiados no Líbano.

Com o potencial permanente para haver novos surtos de violência, Netanyahu avisa: “No espaço de Israel, estas coisas são inaceitáveis, e não me refiro apenas às estradas em torno de Jerusalém ou na própria Jerusalém. Também falo da Galileia e do Negev. Mudamos a política para declarar guerra aos que atiram pedras e lançam cocktails Molotov”.

Resta saber se as medidas anunciadas não serão elas mesmas fonte da violência em massa que dizem querer prevenir.