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Hungria começou a deter migrantes e refugiados

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ZOLTAN MATHE / EPA

Nova lei de imigração da Hungria prevê penas mínimas de prisão de três anos para quem entrar ilegalmente no país

As autoridades da Hungria anunciaram esta terça-feira as primeiras detenções de migrantes por "travessia ilegal da fronteira", ao abrigo da nova lei sobre imigração em vigor desde as 00h.

"Hoje, 60 pessoas foram detidas pela polícia quando estavam a cortar ou a danificar a vedação (...). A polícia abriu processos penais contra elas", disse o porta-voz do governo de Viktor Orban, Gyorgy Bakondi, numa conferência de imprensa em Szeged, no sul do país.

A nova lei de imigração da Hungria prevê penas de prisão de três anos para quem entrar ilegalmente no país e de cinco anos para quem o fizer armado ou provocar danos na vedação de arame farpado construída ao longo dos 175 quilómetros de fronteira com a Sérvia.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro húngaro deslocou-se a Bruxelas para anunciar novas medidas, incluindo esta nova lei. Os “migrantes“ estão “a revoltar-se contra a ordem judicial húngara”, disse Viktor Orban.

O governante húngaro referiu-se sempre os sírios como “migrantes” e não como “refugiados”. E elogiou a polícia: “fez um trabalho notável sem usar a força”, tendo em conta “a rebelião de migrantes ilegais”.

  • Perseguidos, roubados e humilhados: na fronteira do desespero

    Ficar onde estavam não era opção: se a morte não os apanhasse, apanharia certamente um dos seus. Ou vários dos seus. Por isso deixaram, deixam e deixarão os países onde nasceram e viveram - e fazê-lo contra a vontade não é capricho, mas sobrevivência. E primeiro era o mar, que se tornou para uns (tantos, tantos) cemitério, a separá-los do que ansiavam alcançar cá, neste lado onde estamos e onde eles veem (esperam, sonham) esperança e dignidade. E depois do mar, agora há muros entre eles e nós, como este na fronteira entre a Hungria e a Sérvia: estivemos lá e é lá que regressamos consigo numa experiência multimédia que é experiência de vida. Se um mar não trava o desespero, é um muro que vai parar?