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Internacional

Guterres elogia mobilização da sociedade civil portuguesa na crise dos refugiados

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António Guterres foi recebido estar tarde em Bruxelas pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker

LAURENT DUBRULE / EPA

Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados diz que mesmo que Portugal não seja o país mais procurado pelos requerentes de asilo, deve procurar criar condições para recebê-los

“Estou impressionado. Vim este fim de semana do meu país e vi a mobilização da sociedade civil”, disse esta tarde o Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, durante uma conferência com a imprensa internacional, em Bruxelas.

António Guterres refere Portugal como um bom exemplo, falando da criação de uma plataforma de apoio aos requerentes de asilo composta por fundações, entidades religiosas, organizações não governamentais, associações e câmaras municipais, “por forma a garantir que a integração na sociedade portuguesa pode ter sucesso”.

“Imagino que Portugal não esteja entre as preferências dos refugiados, mas é obrigação de todos os Estados-membros fazerem todos os possíveis para tornar o acolhimento eficiente em termos de integração”, concluiu.

O Alto Comissário, que está em fim de mandato, tinha confessado esta manhã, no Parlamento Europeu, estar desiludido com a incapacidade da União Europeia se entender quanto ao acolhimento de refugiados. Guterres aponta o dedo a uma Europa cujas “peças já não encaixam” e critica a falta de acordo em torno da distribuição de mais 120 mil refugiados.

“É preciso um Plano B”, voltou a afirmar à tarde e antes do encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Para Guterres não faz sentido ficar à espera de uma decisão do Conselho - que se pode arrastar durante meses – pelo que insta os países europeus a começaram já a recolocar refugiados, indo além do mecanismo para recolocar 40 mil pessoas já aprovado e recebendo sírios que estão ainda em campos de refugiados das Nações Unidas, fora da Europa.

“O que é precisos é lugares para onde as pessoas possam ir, quer resultem de um acordo no Conselho Europeu ou da boa vontade de um número de países”, insistiu.

O Alto Comissário destaca ainda a importância dos centros de receção de refugiados em países como a Grécia e Itália, que diz serem fundamentais para registar os requerentes de asilo que entram na União Europeia, distinguindo os que precisam de proteção internacional dos que não precisam.

Um outro alerta do dirigente português é dirigido à situação na fronteira entre a Hungria e a Sérvia, país que segundo Guterres deverá vir a ser o próximo a necessitar da criação destes centros de receção e de uma resposta de emergência da União Europeia.