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Alemanha pede cimeira sobre refugiados. Tusk decide esta quinta

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HANNIBAL HANSCHKE/ Reuters

Alemanha, Áustria e Eslováquia querem uma Cimeira de Emergência para discutir a crise dos refugiados. Presidente do Conselho Europeu diz que decide até quinta-feira. Para a próxima terça está já marcada nova reunião dos ministros da administração interna

No rescaldo do impasse e das criticas à incapacidade dos ministros da administração interna chegarem a acordo sobre a distribuição de mais 120 mil refugiados, Alemanha e Áustria declaram que pediram uma Cimeira para tentar chegar a uma solução.

A chanceler alemã, citada pela CNN, disse que “Alemanha, Áustria e Suécia não podem resolver, sozinhas, o problema”. Angela Merkel e o chanceler austríaco, Werner Faymann, defendem que a UE precisa de uma política urgente para lidar com a crise gerada pela entrada de milhares de requerentes de asilo e migrantes na Europa.

Mas quem marca as reuniões de chefes de Estado e de Governo é o presidente do Conselho Europeu. Numa mensagem deixada no Twitter, Donald Tusk confirmou que consultou os líderes europeus e que alguns lhe pediram para marcar uma cimeira extraordinária. “Vou continuar as consultações e anunciar uma decisão na quinta-feira”, concluiu.

Tusk terá de avaliar a disponibilidade e a margem de flexibilidade dos vários países para se chegar a um acordo. Os Vinte e Oito estão divididos e têm sido várias as vozes contra a proposta da Comissão para recolocar noutros Estados-membros 120 mil requerentes de asilo que chegaram à UE através da Itália, Grécia e Hungria.

Os mais reticentes têm sido a Eslováquia, a República Checa, a Hungria, Roménia e também a Polónia, país de que Tusk era primeiro-ministro antes de assumir a liderança do Conselho Europeu.

A Eslováquia também está de acordo com uma cimeira e já o disse a Tusk. Mas o primeiro-ministro, Robert Fico, diz que irá a Bruxelas para reiterar que não concorda com quotas obrigatórias.

"Numa matéria assim tão séria e delicada como o facto de dizer a um país quantas pessoas deve aceitar, sem poder escolhê-las, é certamente uma cimeira que deve tomar essa decisão", explicou, citado pela Lusa.

O elevado fluxo de refugiados levou a Alemanha a reintroduzir controlos nas fronteiras com a Áustria. Os austríacos seguiram também o exemplo. Já o ministro checo da administração interna atira as culpas da crise dos refugiados para as decisões alemãs. E a Hungria começou a deter os primeiros refugiados e migrantes que entram no país sem autorização, e anunciou que está disposta a construir um muro na fronteira com a Roménia.

Nova reunião de ministros do interior na terça-feira

É cada vez mais claro que o problema tem de ser resolvido ao mais alto nível. Mas enquanto Tusk não decide, a presidência luxemburguesa mostrou-se pró-ativa e já anunciou uma nova reunião extraordinária de ministros da justiça e interior (administração interna) para a próxima terça-feira, dia 22 de setembro.

O objetivo é voltar a tentar chegar a acordo sobre um “mecanismo provisório” de distribuição dos 120 mil refugiados. Na reunião de ontem, o ministro luxemburguês com a pasta dos assuntos europeus, Jean Asselborn, disse que a distribuição voluntária tinha o apoio de uma larga maioria de países e que era possível adotar uma decisão por maioria qualificada numa próxima reunião.