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México exige “responsabilidades” ao Egito após morte de turistas “por erro”

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Zona próxima do local da tragédia

AMR ABDALLAH DALSH / Reuters

Forças de segurança egípcias atacaram “por erro” turistas mexicanos - que foram confundidos com terroristas. “Estamos muito tristes. É algo que afeta cada egípcio”, diz o primeiro-ministro interino do Egito

O Governo do México entregou esta segunda-feira uma nota diplomática de protesto ao Egito pelo ataque "por erro" contra um grupo de turistas mexicanos perto do Cairo, na qual solicita uma investigação "rápida e exaustiva" e exige "responsabilidades".

No domingo, 12 pessoas foram mortas, incluindo pelo menos dois mexicanos, e dez ficaram feridas num ataque aéreo de aviões e helicópteros militares egípcios que visou um grupo de turistas numa região oeste do deserto.

Já o sindicato de guias turísticos do Egito assinalou em comunicado que entre os 12 mortos estão oito cidadãos mexicanos, enquanto o primeiro-ministro interino do Egito, Ibrahim Mehleb, assegurava à agência noticiosa Efe que estão a ser fornecidos "os máximos cuidados" médicos aos feridos, após uma visita ao hospital onde estão internados. "Estamos muito tristes. É algo que afeta cada egípcio", disse.

Previamente, e em conferência de imprensa na Cidade do México, a chefe da diplomacia mexicana, Claudia Ruis Massieu, adiantou que o Governo egípcio lhe comunicou ter sido constituído um "comité de investigação" dirigido pelo primeiro-ministro em funções.

"Desde domingo que estou em contacto com o embaixador do Egito no México, Yasser Shaban, e esta manhã recebi-o no ministério, onde foi entregue a nota diplomática na qual o Governo mexicano expressa a sua profunda consternação por estes deploráveis acontecimentos", afirmou a ministra.

Claudia Massieu exigiu a realização de uma "investigação expedita, exaustiva e de fundo, e que se proporcione sem demora uma explicação objetiva que estabeleça os factos e as responsabilidades que daí derivarem".

No protesto diplomático, as autoridades mexicanas solicitam aos responsáveis egípcios que "forneçam a mais alta prioridade e urgência ao esclarecimento deste assunto, concedam as facilidades necessárias à embaixada do México no Cairo e ao seu pessoal no desempenho das suas funções e propiciem todos os apoios para o futuro repatriamento" das vítimas.

A ministra revelou ainda durante a conferência de imprensa que as forças de segurança egípcias atacaram "por erro" os turistas mexicanos através de um ataque aéreo e com bombas, segundo o testemunho dos sobreviventes.

As vítimas foram alvo "de um ataque aéreo com bombas lançadas desde um avião e helicópteros", disse, antes de esclarecer que até ao momento só estava confirmada a morte de dois mexicanos e que outros seis estavam hospitalizados e em situação "estável".

Por sua vez, o Ministério do Interior egípcio confirmou que pelo menos 12 pessoas morreram e dez ficaram feridas no ataque, entre mexicanos e egípcios que integravam o grupo, e indicou que a polícia e o exército "confundiram os turistas com terroristas".

O ataque ocorreu no domingo no oásis de Bahareya, no deserto ocidental do Egito, onde os turistas, que tinham chegado ao Cairo na sexta-feira, tinham parado para comer.