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E vai (mais) um. Primeiro-ministro australiano perde eleição interna e é substituído por um colega

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SAM MOOY / EPA

As peculiaridades do sistema australiano permitem esse tipo de “golpe de estado” intrapartidário que nem sequer exige uma eleição subsequente

Luís M. Faria

Jornalista

Aconteceu de novo. Um primeiro-ministro escolhido pelos australianos foi automaticamente substituído por outro após uma eleição interna no seu partido. Isso teve lugar duas vezes no anterior Governo, quando Julia Gillard substituiu Kevin Rudd e foi por sua vez substituída por ele não muito tempo depois. À conta dessas manobras e não só, o Partido Trabalhista perderia as eleições nacionais há dois anos. Agora foi a vez de Tony Abbott, o primeiro-ministro liberal de tendência bastante conservadora, perder um desafio eleitoral contra o antigo líder do seu partido, Malcolm Turnbull, que assim o vai substituir.

Abbott tinha perdido popularidade devido a cortes sociais, em especial na saúde e na educação. A sua aparente incapacidade para articular uma resposta decisiva às tensões geradas já tinha feito com que diversas figuras do seu partido, e não só, começassem a falar da possibilidade de o substituir. Pediu mais tempo, mas em fevereiro 39 deputados do seu partido já tinham votado para declarar ‘vagas’ as posições de líder – o processo pelo qual o líder é deposto. Como a maioria dos deputados o apoiaram e não houve um candidato rival, Abbott aguentou-se na altura. Desta vez, não.

Turnbull promete um “estilo de liderança que respeite a inteligência das pessoas” e leve mais em conta as opiniões dos outros colegas no Governo. Abbott lutou pelo seu lugar, mas acabou por se ver deposto – 54 votos contra 44. Resta ver se os efeitos no Partido Liberal resultam benéficos, ou se se repete a história desastrosa do Partido Trabalhista. Entretanto, um dos aspetos que deverá mudar pouco ou nada é a linha dura em matéria de acolhimento a emigrantes e refugiados.