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Botas austríacas seguem para a fronteira

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Militares austríacos vão apoiar os polícias no controlo fronteiriço

HERBERT P. OCZERET / REUTERS

Nas próximas duas horas” 2200 militares serão mobilizados para “fornecer ajuda humanitária no interior do país, mas também desempenhar um papel de apoio ao controlo na fronteira [com a Hungria], sempre que necessário” informou o chanceler austríaco

A Áustria vai convocar “imediatamente” 2.200 militares para apoiar a polícia na gestão do fluxo de migrantes que chegam ao país, vindos principalmente da Hungria, anunciou esta segunda-feira o chanceler austríaco, Werner Faymann, em conferência de imprensa.

Viena vai mobilizar “nas próximas duas horas” os militares do exército para apoiar a polícia em ações “de controlo de fronteira, se necessário”, disse Werner Faymann, no dia seguinte à reintrodução, por parte da Alemanha, do controlo das fronteiras na sequência do aumento do fluxo de migrantes, provenientes maioritariamente da Síria.

“A tarefa do exército é principalmente fornecer ajuda humanitária no interior do país, mas também desempenhar um papel de apoio ao controlo na fronteira, sempre que necessário”, disse o líder austríaco.

A Áustria tem sido um país de passagem para os migrantes que tentam chegar à Alemanha vindos da Hungria, que viu o movimento de migrantes intensificar-se antes da entrada em vigor de uma nova legislação que dificulta a imigração no país.

Também hoje, o vice-chanceler alemão estimou que o país vai receber não os 800 mil previstos, mas sim um milhão de pessoas este ano.

A decisão da Alemanha e da Aústria de fortalecimento do controlo fronteiriço “é um sinal claro que de isto não pode continuar assim, com as pessoas a atravessarem as fronteiras em massa”, acrescentou o vice-chanceler da Áustria, Rudolph Mitterlehner, na conferência de imprensa, na qual salientou que o direito de asilo deve continuar a ser concedido.

Esta segunda-feira, a Áustria espera a chegada de mais de 10 mil migrantes provenientes da Hungria.

Ligações ferroviárias suspensas

Este domingo, a empresa de caminhos-de-ferro austríaca (OBB) anunciou a suspensão, até ordem contrária, das ligações ferroviárias com a Hungria devido à "congestão em massa" da rede provocada pelo fluxo sem precedentes de migrantes.

O destino preferencial destes migrantes que transitam pela Hungria e pela Áustria é o território alemão. Estas pessoas são maioritariamente oriundas da Síria.

Num comunicado, a operadora estatal pediu para que "voluntários e empresas de autocarros" deixem de conduzir mais migrantes para as estações de comboio que integram a rede ferroviária austríaca.

"O grande afluxo de migrantes mais o grande número de pessoas que aguarda nas estações para prosseguir as suas viagens excedem as capacidades ferroviárias disponíveis", precisou a empresa.

Apesar das ligações diretas entre Budapeste e Viena terem sido retomadas domingo de manhã, a austríaca OBB decidiu suspender o envio de novos comboios em direção à Hungria, numa tentativa de reduzir o número de passageiros.

Na quarta-feira, os caminhos-de-ferro dinamarqueses DSB também anunciaram a suspensão de todas as ligações ferroviárias com a Alemanha, após dezenas de refugiados terem recusado abandonar, pelo menos, dois comboios, numa passagem por 'ferry' perto da fronteira alemã.

Estes migrantes pretendiam prosseguir em direção à Suécia, que tem condições de asilo mais flexíveis.