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Alemanha esclarece: controlar não é fechar

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DOMINIC EBENBICHLER / REUTERS

Ao suspender o acordo de Schengen, o governo alemão pretende, tão somente, acolher “de forma mais controlada” os refugiados, disse esta segunda-feira um porta-voz da chancelaria

O restabelecimento dos controlos de fronteiras não significa que a Alemanha está a fechar a entrada aos migrantes e aos requerentes de asilo, declarou esta segunda-feira o porta-voz da chancelaria.

O objetivo de Berlim é tornar o processo "mais ordenado", disse Steffen Seibert num encontro regular com a imprensa.

“Os controlos provisórios nas fronteiras não são a mesma coisa que um encerramento das fronteiras, é completamente diferente. Os refugiados vão continuar a entrar na Alemanha, esperamos que isso decorra de forma mais ordenada”, declarou.

A reintrodução dos controlos, anunciada no domingo, deve-se antes de mais a questões de segurança, para que as autoridades saibam “sobre cada pessoa que chega, quem é e o seu perfil”.

“Uma coisa é clara, os nossos princípios de base não mudam, continuamos a ser movidos por questões humanitárias, pelo direito à proteção na Alemanha daquele que é perseguido por razões políticas, do refugiado de guerra”, afirmou.

Qualquer estrangeiro que peça asilo ou o estatuto de refugiado na Alemanha será acolhido, registado e instalado num centro de acolhimento, como acontecia antes do restabelecimento dos controlos nas fronteiras.

As autoridades esperam que estes controlos a montante permitam canalizar melhor o fluxo de migrantes, deixando de ser confrontadas com situações como a de Munique, onde dezenas de milhares de pessoas chegaram nos últimos dez dias.

A Alemanha, em geral, e a Baviera, em particular, foram submersas pela chegada de migrantes nas últimas semanas: os centros de acolhimento estão sobrelotados e os procedimentos de registo atrasados.

O país espera ser confrontado com a necessidade de receber até um milhão de migrantes este ano, mais do que qualquer outro Estado europeu, enquanto parceiros da Alemanha na UE recusam qualquer sistema de repartição obrigatória de migrantes.

“Existem numerosos sinais que mostram que, este ano, não vamos receber 800 mil refugiados, como tinha previsto o ministério do Interior, mas um milhão”, declarou o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, no 'site' do Partido Social-Democrata alemão (SPD).

“A Alemanha é forte e pode fazer muitas coisas. Mas, nestes últimos dias, vimos que, apesar das nossas melhores intenções, as nossas capacidades de acolher pessoas atingiram os seus limites”, acrescentou.

Independentemente dos controlos nas fronteiras “cada pessoa que apresente um pedido de asilo em solo alemão, tem o direito de permanecer no país até se chegue a uma decisão sobre esse pedido”, disse.

A chanceler alemã, Angela Merkel, deve receber na sexta-feira os dirigentes dos 15 estados regionais alemães para debater as medidas para garantir o acolhimento dos migrantes, informou Seibert.