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Refugiados: Hungria apoia decisão alemã, França pede “respeito escrupuloso” do Acordo de Schengen

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A reintrodução temporária do controlo fronteiriço por parte da Alemanha será um dos pontos a abordar na reunião dos ministros do Interior dos Estados-membros, que discutirá na segunda-feira a crise dos refugiados

O governo alemão ordenou esta noite o destacamento de várias centenas de polícias nas zonas de fronteira, na sequência da reintrodução do controlo temporário das fronteiras. A medida que assenta na suspensão do princípio da livre circulação de pessoas, prevista no Acordo de Schengen, visa responder ao forte afluxo de refugiados no país.

Será este um dos principais pontos de discussão da reunião que juntará na segunda-feira os ministros do Interior dos Estados-membros e que deverá contar com posições divergentes.

Na Hungria a decisão do Executivo alemão foi recebida com agrado. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que defendeu recentemente que o “problema dos refugiados era um problema alemão e não da Europa”, afirmou este domingo que a medida da Alemanha era “vital para defender os valores germânicos e europeus”.

“Os líderes europeus pareciam estar a viver num mundo de sonho. Estes refugiados não estar a vir em nossa direção de zonas de guerra, mas a partir de campos de vizinhos da Síria. Sendo assim, são pessoas que não estão a fugir do perigo e não precisam de ter medo pelas suas vidas”, afirmou Viktor Orbán ao jornal “Bild”.

A posição da Hungria está a ser contestada por vários países europeus, nomeadamente pelo chanceler austríaco, que acusou o governante hungaro de fazer lembrar o “período da Segunda Guerra Mundial”.

Werner Faymann disse esperar que a reintrodução do controlo fronteiriço por parte da Alemanha não coloque em causa a ajuda humanitária. “Espero ainda que isto não se faça à custa dos pedidos de asilo. Parto do princípio que a chanceler alemã também pensa da mesma forma”, disse o governante austríaco que se reunirá na terça-feira em Berlim com a sua homóloga alemã.

Em Paris, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, lembrou - à semelhança do que já tinha feito o presidente da Comissão Europeia - que a medida germânica é “excecional” e pediu que cada Estado-membro “respeite escrupulosamente” o Acordo de Schengen.