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Catroga responde a Costa. E Silva Pereira rebate acusações

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Tiago Miranda

Numa carta aberta a António Costa, Eduardo Catroga acusou o líder socialista de “torturar a memória dos portugueses” e de tentar “reescrever a história dos factos”. Do lado socialista, Pedro Silva Pereira já respondeu, insistindo que foi o “chumbo do PEC IV pelo PSD” que tornou inevitável a chegada da troika

Numa carta aberta a António Costa - sob o título “Os portugueses merecem a verdade”- , Eduardo Catroga rebateu algumas das afirmações proferidas pelo líder socialista durante o debate com Passos Coelho. “O propósito de torturar a memória dos Portugueses e de tentar reescrever a história dos factos não pode constar das armas dos partidos numa campanha eleitoral”, afirmou o ex-ministro numa carta que foi divulgada no sábado.

O antigo ministro das Finanças classificou as declarações de de António Costa de “surpreendentes” e “injustificadas”, reiterando que foi o partido socialista que chamou a troika. ”Está para além de qualquer dúvida e de qualquer reinterpretação do passado que foram o ex-Primeiro Ministro José Sócrates e o ex-Ministro das Finanças Teixeira dos Santos a chamar a troika”, refere Catroga.

O negociador do memorando da troika pelo PSD garantiu ainda que teve apenas uma conversa com a troika e não uma negociação. “O PSD foi sistematicamente ignorado pelo Governo, na pessoa do seu interlocutor para estas matérias o então Ministro da Presidência Silva Pereira. A nossa insistência na obtenção da informação pertinente”, acrescentou.

Garantindo que o PSD nunca se comprometeu com níveis de défice ou dívida pública, Catroga sustentou que o futuro acabaria por dar razão ao Executivo de Pedro Passos Coelho, que tinha receio que a situação do país era pior na altura.

“Foi por essa razão que o PSD dirigiu quatro cartas (20, 26, 28 de Abril, e 2 de Maio de 2011) ao Ministro Silva Pereira, com conhecimento para a troika também. As cartas são públicas e verificáveis por todos”, lembra.

Eduardo Catroga nega também que o programa do Governo tenha ido além do exigido pela troika. “Dito de uma maneira simples, nas metas orçamentais ficámos aquém da troika”, frisou.

Em resposta, Pedro Silva Pereira enviou uma carta aberta a Eduardo Catroga, insistindo que foi o “chumbo do PEC IV pelo PSD” que tornou inevitável a chegada da troika ao país.

“A verdadeira questão política está em saber quem é que, no auge da crise das dívidas soberanas, tornou a vinda da "troika" inevitável por ter rejeitado no Parlamento o programa alternativo apoiado pelos nossos parceiros europeus, pela Comissão Europeia e pelo BCE", pode ler-se na carta divulgada pelo “Diário de Notícias”.

O ex-ministro da Presidência do governo socialista desmentiu ainda que o PSD tenha tido um papel pouco interventivo no memorando de ajustamento, destacando nomeamente as declarações públicas de Catroga nesse sentido. E acusou o atual Governo de aplicar o “dobro da austeridade que estava prevista no memorando inicial".

Silva Pereira assegurou ainda que enviou "abundante informação" a Catroga, sendo "falso" que não tenha respondido às solicitações do negociador do PSD.