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Alemanha vai reintroduzir controlo na fronteira com a Áustria. República Checa segue-lhe os passos

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AXEL SCHMIDT / AFP / Getty Images

“Refugiados não têm o direito de escolher os estados de acolhimento”, afirmou o ministro do Interior alemão. A decisão foi anunciada este domingo, depois do país ter revelado que está a chegar ao “limite” da sua capacidade de acolhimento

A Alemanha tomou a decisão de reintroduzir temporariamente controlos na fronteira com a Áustria, suspendendo desta forma a livre circulação de pessoas prevista nos acordos de Schengen. Ainda não existem detalhes sobre a amplitude das medidas que irão ser aplicadas, mas os comboios provenientes da Áustria (em direção à Alemanha) foram suspensos, segundo avança a BBC.

“Neste momento a Alemanha irá introduzir temporariamente controlo nas fronteiras. O foco será, em primeiro lugar, a fronteira com a Áustria”, afirmou este domingo o ministro do Interior do país, Thomas de Maizière, sublinhando que o objetivo é permitir “a entrada ordenada de pessoas”.

O ministro do Interior alemão avança ainda que esta é uma medida provisória, que “não resolve” o problema dos refugiados, e apela a uma “distribuição justa pelos países europeus.”

Em conferência de imprensa este domingo, sublinha que os requerentes de asilo “têm que compreender que não podem escolher os estados de acolhimento.” De acordo com as regras da União Europeia, o pedido de asilo deve ser realizado no primeiro país de entrada na União Europeia.

Perto de um “desastre humanitário”

Maizière já tinha alertado para a possibilidade de suspensão dos acordos de Schengen há cerca de um mês, após o agravamento da crise migratória e de refugiados que atinge a Europa. Os países signatários do acordo têm a possibilidade de introduzir controlo nas fronteiras, temporariamente, se estes forem implementados por motivos de “ordem pública e segurança nacional” e após consultarem os restantes signatários.

Através da Áustria entram milhares de refugiados e migrantes para se instalarem na Alemanha ou chegarem a outros países da Europa. A Alemanha tornou-se um destino para muitos migrantes e refugiados (mais de 450 mil entraram no país este ano), especialmente depois da chanceler alemã ter relaxado as regras que regulavam os pedidos de asilo para requerentes sírios.

Só este sábado chegaram a Munique 13.015 refugiados (o número mais elevado de entradas naquela cidade num só dia) e mais de três mil este domingo. As autoridades do país já garantiram que a Alemanha já chegou “ao limite máximo” de capacidade de acolhimento dos refugiados e que Munique se encontra “perto de um desastre humanitário.”

República Checa segue decisão alemã

A República Checa parece ter seguido os passos da Alemanha, anunciando que também irá reforçar o controlo na fronteira com a Áustria.

O país “está a reforçar o controlo na sua fronteira com a Áustria”, avançou o ministro do Interior do país, Milan Chovanec, este domingo. “Os próximos passos serão determinados de acordo com o número de refugiados a chegar ao país.”

Esta segunda-feira os ministros da Justiça e Assuntos Internos da União Europeia irão reunir-se de emergência para avaliar a resposta da União à maior crise de refugiados que atinge a Europa desde a Segunda Guerra Mundial.