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Países de leste e nórdicos recusam quotas de refugiados

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Refugiados iraquianos na Áustria, um dos países que tem apelado à introdução de quotas obrigatórias para acolher migrantes e refugiados

Vladimir Simicek / AFP / Getty Images

Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia, bem como a Finlândia e a Dinamarca anunciaram que se opõem ao sistema de quotas obrigatórias proposto pela União Europeia, para acolher 160 mil refugiados

Os países do grupo de Visegrado - Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia - recusaram as quotas de migrantes propostas pela UE, disse esta sexta-feira, em Praga, o chefe da diplomacia checa, Lubomir Zaoralek.

Os países que vão receber os migrantes “devem ter o controlo sobre o número de refugiados que estão dispostos a aceitar e em seguida oferecer-lhes apoio”, disse Zaoralek à imprensa, no final de um encontro com os homólogos do grupo de Visegrado e o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Após uma adesão à UE em 2004, com o apoio declarado de Berlim, estes quatro países desafiam hoje a chanceler alemã, Angela Merkel, que pretende uma política "vinculativa" de quotas de refugiados em nome dos valores fundadores do projeto europeu.

“Se concordamos na descrição da situação (...), devíamos estar unidos sobre o facto de que um tal desafio não pode ser gerido por um único país. Precisamos de solidariedade europeia”, disse Steinmeier, no final da reunião sobre a crise migratória, que definiu como “talvez o maior desafio da história da UE”.

Dinamarca e Finlândia com reservas

Também a Dinamarca anunciou que recusa participar num sistema de repartição centralizada de refugiados entre países-membros da UE, como propõe Bruxelas. “Não estaremos incluídos na repartição dos 160 mil refugiados”, declarou à agência noticiosa dinamarquesa Ritzau a ministra da Integração, Inger Stojberg, questionada sobre esta proposta da Alemanha que a Comissão Europeia (CE) pretende ver aplicada rapidamente. Como o Reino Unido e a Irlanda, a Dinamarca pode excluir-se da política de asilo da UE.

“Penso que é preciso ver que já uma repartição informal dos requerentes de asilo na Europa” e a Dinamarca já está num patamar “muito alto”, acrescentou a ministra. A Dinamarca recebeu cerca de 15 mil pedidos de asilo em 2014, sendo o quinto país que, relativamente à população, recebeu mais pedidos, à frente da Alemanha (dados do Eurostat).

Por seu lado, o Governo da Finlândia anunciou estar disposto a receber um total de 2.400 refugiados, como pedido pela CE, mas sublinhou opôr-se à proposta de Bruxelas de um sistema de repartição de refugiados, com base em quotas obrigatórias.

Em conferência de imprensa, o ministro do Interior finlandês, Petteri Orpo, explicou que o país acolherá os refugiados oriundos do sul da Europa para ajudar na atual crise, mas esta é uma “decisão voluntária”. “A situação é tão grave atualmente que devemos participar e assim o faremos”, afirmou. “Não apoiamos a proposta da CE de criação de um sistema de obrigatório e permanente (...) por uma simples razão_ e é que antes devemos ter a certeza de que as medidas comunitárias para melhorar a situação nos países de origem [dos refugiados] estão a funcionar”, disse.

As propostas apresentadas na quarta-feira pela CE vão ser debatidas no conselho extraordinário de ministros do Interior e da Justiça, na próxima segunda-feira, em Bruxelas.