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Hungria anuncia que vai deter todos os refugiados que atravessarem ilegalmente a fronteira

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BERNADETT SZABO/ Reuters

Primeiro-ministro húngaro esteve novamente em Bruxelas para anunciar novas medidas. Nota para o facto de se referir sempre os sírios como “migrantes” e não como “refugiados”. E elogia a polícia: “fez um trabalho notável sem usar a força”, tendo em conta “a rebelião de migrantes ilegais”

Os “migrantes“ estão a “estão a revoltar-se contra a ordem judicial húngara”. Esta sexta-feira, em Bruxelas, Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria, anunciou que a partir da próxima semana todas as pessoas que tentem atravessar ilegalmente a fronteira vão ser detidas.

“A partir de dia 15 [próxima terça-feira], as autoridades húngaras não podem perdoar quem atravesse a fronteira ilegalmente”, disse o chefe do Governo, citado pela agência Reuters.

Orban refere-se aos sírios sempre como migrantes e não como refugiados. Considera que estes estão a criar o caos no país: “Tomaram as estações ferroviárias, recusaram fornecer as impressões digitais, não cooperam e estão relutantes em ir para um local onde lhes vão dar comida, água, alojamento e cuidados médicos... Estão a revoltar-se contra a ordem judicial húngara”.

Viktor Orban elogiou ainda o trabalho da polícia, que “fez um trabalho notável sem usar a força”, tendo em conta “a rebelião de migrantes ilegais”. Esta mudança no comportamento das autoridades húngaras coincide precisamente com a entrada em vigor da nova legislação anti-imigrantes do país, que anteriormente já tinha sido anunciada.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) manifestou entretanto desagrado com estas novas leis. Segundo o ACNUR, a lei arrisca-se a colidir com o artigo 51º da Convenção sobre os refugiados, que autoriza a passagem de fronteira, mesmo clandestina, a qualquer pessoa que pretenda solicitar asilo.

Ao longo deste ano, avança a Reuters, já chegara à Hungria pela fronteira com a Sérvia mais de 170 mil migrantes. Com medo de serem repatriados ou presos, a maioria destas pessoas evitou registar-se.