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Trump não quer mexicanos nos EUA, mas aceita sírios (e continua polémico)

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NANCY WIECHEC / Reuters

É outra tomada de posição surpreendente por parte de um candidato cuja campanha tem sido rica em surpresas. Quanto ao conflito na Síria entre Assad e o autodenominado Estado Islâmico, fala assim: “Porque não os deixamos lutar e depois eliminamos o que sobrar?”

Luís M. Faria

Jornalista

Donald Trump continua a surpreender. Após assumir posições populistas contra a migração mexicana, agora defende que os Estados Unidos devem receber mais refugiados sírios. “Sabe, a Síria é viver no Inferno. Não há questão. Eles estão a viver no Inferno e algo tem de ser feito”, disse numa entrevista à Fox News. “Detesto a ideia (de abrir a porta aos refugiados), mas numa base humanitária temos de o fazer.”

Trump atribui a culpa da situação ao presidente Obama, “quando ele não entrou lá para fazer o trabalho que devia ter feito quando desenhou aquela linha na areia, que mostrou ser uma linha bastante artificial”. Trump referia-se ao ultimato dado por Obama ao presidente Bashar al-Assad para não usar armas químicas, e que este ignorou sem sofrer retaliações.

Com característico sentido prático, Trump acrescentou que Assad não é o principal problema, dado que está neste momento a lutar com o Estado Islâmico. “Porque não os deixamos lutar e depois eliminamos o que sobrar?”, perguntou Trump.

Entretanto, há uma nova polémica a envolver o bilionário - que vem na linha de outras anteriores. Falando sobre a sua rival Cathy Fiorina, a única mulher candidata nas primárias republicanas, sugeriu que com uma cara daquelas as pessoas não iriam votar nela. Fiorina respondeu que Trump a atacou por ela estar a subir nas sondagens.

A campanha do bilionário, mais uma vez, revela-se difícil de classificar. Se por um lado Trump assume posições que o aproximam da extrema-direita, por outro propõe medidas que parecem quase de esquerda - por exemplo, aumentar os impostos sobre os rendimentos mais elevados.