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“Ficámos a pensar que estas pessoas nem seriam capazes de salvar um quiosque da falência, quanto mais um país”

Só Nikos Michaloliakos, líder dos neofascistas do Aurora Dourada, não participou no primeiro debate eleitoral televisivo dos últimos seis anos

ARIS MESSINIS / AFP / Getty Images

Não houve nenhum vencedor claro naquele que foi o primeiro debate eleitoral televisivo dos últimos seis anos na Grécia. E os jornais deixam muitas críticas ao que ouviram

A dez dias das eleições na Grécia, sete dos oito líderes dos maiores partidos políticos - Alexis Tsipras (Syriza), Evangelis Meimarakis (Nova Democracia), Fofi Gennimata (PASOK), Stavros Theodorakis (Potami), Dimitris Koutsoumbas (Partido Comunista), Panos Kammenos (Gregos Independentes) e Panagiotis Lafazanis (Unidade Popular) - juntaram-se quarta-feira para aquele que foi o primeiro debate eleitoral nos últimos seis anos. Nikos Michaloliakos, líder dos neofascistas do Aurora Dourada, não participou.

O objetivo do debate? Fazer campanha para as eleições antecipadas no país, que ocorrem a 20 de setembro. O resultado? Quatro horas de tensão, slogans, trocas de acusações, promessas vazias e repetição das mensagens de sempre constituem um “quase incentivo à abstenção”, segundo evidenciam esta quinta-feira os jornais gregos e internacionais. E não há nenhum vencedor claro neste debate.

“Os líderes políticos trocaram provocações, fizeram declarações políticas, mas nem mesmo o antigo primeiro-ministro Alexis Tsipras dominou o debate”, avançou esta quinta-feira a agência Anadolu.

Também Philip Chrysopoulos apontou, no jornal “Greek Reporter”, “a pobreza de ideias e argumentos e falta de honestidade”, que foi “verdadeiramente embaraçosa e um insulto à inteligência de qualquer um”. “De tal forma que, após três horas de conversa, ficámos a pensar que estas pessoas nem seriam capazes de salvar um quiosque da falência, quanto mais um país”.

O jornalista acusa ainda os líderes dos partidos de serem “políticos profissionais”, cuja única tarefa “é sentar-se no parlamento e receber pagamentos e todos os benefícios que o cargo traz”. “Ser eleito para salvar o país? Isso seria uma piada de mau gosto.”

Tsipras reconhece erros, mas “a luta continua”

Segundo os jornais, os líderes políticos não falaram num programa sólido para o futuro. “Tudo não passou de conversa vazia e promessas”, pode ler-se ainda no “Greek Reporter”. “Palavras como desenvolvimento, crescimento, progresso, justiça social, prosperidade, soam a arrogância vindas da boca destas pessoas.”

Durante o debate, a líder socialista Fofi Gennimata apontou o dedo à governação do Syriza. “Se houvesse uma Framboesa de Ouro para a economia, Tsipras seria claramente o vencedor”, declarou ironicamente, referindo-se ao galardão que premeia os piores filmes e atores do cinema.

Alexis Tsipras aproveitou para sair em defesa dos seus sete meses de Governo, mas não deixou de reconhecer que existiram “excessos e erros” durante esse período - ainda que “corrigidos a tempo e nos momentos críticos”. “Reconheço que não conseguimos implementar parte dos nossos compromissos, mas a luta continua e esperamos ter sucesso no futuro", disse ainda o antigo primeiro-ministro grego.

Já o líder da Nova Democracia, Vangelis Meimarakis, apelou aos gregos para votarem no seu partido, dizendo que lhes dará a oportunidade de completar o trabalho que foi deixado incompleto e adiantando, sem especificar, que irá tentar formar uma coligação para ter um governo sólido nos próximos quatro anos caso vença as eleições. “Pedimos o voto das pessoas para completar o que não tivemos possibilidade de fazer no mandato anterior.”

Na próxima semana há debate entre Alexis Tsipras (Syriza) e Vangelis Meimarakis (Nova Democracia).