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Estado Islâmico faz propaganda com foto da criança síria que morreu em praia turca

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Uma imagem simbólica para um problema global: mural nas ruas de Sorocaba, no Brasil

PAULO WHITAKER / Reuters

Depois de na semana passada vários jornais internacionais fazerem capa com a fotografia do menino sírio encontrado morto numa praia na Turquia, o autodenominado Estado Islâmico usa-a na sua propaganda contra o Ocidente, acusando os refugiados de cometerem “um grande pecado capital”

A fotografia de Alan Kurdi, a criança síria de três anos que deu à costa numa praia turca, dificilmente será esquecida por quem a viu. Comoveu o mundo, chamou a atenção da Europa para um problema sério e complexo e agora - por razões bem distintas - do autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

Na 11ª edição da sua publicação de propaganda “Daqib”, publicada quarta-feira, o Daesh serve-se da fotografia da criança para atacar os refugiados que fogem em direção ao Ocidente.

“Infelizmente, alguns sírios e líbios estão dispostos a arriscar as vidas e almas daqueles pelos quais são responsáveis - as suas crianças -, sacrificando-as durante as viagens perigosas em direção a terras governadas pelas leis do ateísmo e indecência”, pode ler-se no artigo intitulado “O perigo de abandonar as terras do Islão” (leia-se, o califado autoproclamado no Iraque e na Síria).

O artigo de propaganda aponta para o risco de estes refugiados cometerem “um grande pecado capital” ao procurar guarida nos países ocidentais, nos quais estão sujeitos “à ameaça constante da fornicação, sodomia, drogas e álcool”.

Mas nem só para o Ocidente se dirigem os seus ataques. Na mesma publicação, o Daesh procura ainda atingir pelas palavras outras fações terroristas e militantes jiadistas: a Frente al-Nusra na Síria (acusada de ser um instrumento da Turquia, aliada da NATO) e o Hamas na faixa de Gaza (apontado como fraudulento e não verdadeiramente islâmico) são visados no texto. E nem a al-Qaeda escapa, com os seus membros a serem acusados de ser “ovelhas cegas” que “não pensam por si próprias, sendo lideradas pelos seus desejos pessoais e por outras ovelhas cegas”.