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Argentina em choque com morte de menino índio que pesava 10 quilos

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A sua morte está a ser apresentada como um exemplo extremo dos problemas de má nutrição, falta de condições de higiene e de assistência médica que padecem populações de certas zonas do país. O caso já levou o Governo argentino a atribuir a morte ao quadro clínico complexo do menino de 14 anos

As imagens e as notícias do menino índio, de 14 anos que pesava apenas 10 quilogramas quando faleceu, num hospital pediátrico com tuberculose e desnutrição, estão a causar forte impacto na Argentina, sendo apresentado como mais um caso que contraria a reivindicação do regime de que o país terá conseguido superar o quadro de pobreza extrema que afetou parte da sua população desde a crise de 2001.

Óscar Sánchez era da etnia Qom e vivia em Impenetrável, uma zona de selva especialmente inacessível, onde as condições de vida são extremamente árduas, situada em Chaco, uma das províncias mais pobres do país.

Morreu após ter sido transferido para o hospital de Resistência, capital de Chaco. A família diz que o menino encontrava-se gravemente doente há um ano e que foi mal assistido em todos os centros médicos por onde passou, incluindo o hospital Néstor Kirchner na Vila Río Bernejito, onde esteve na passada semana antes do agravamento do seu estado, o que levou à sua transferência para o hospital onde acabaria por falecer.

Segundo os médicos que o atenderam, quando chegou já estava encontrava em fase terminal, com uma tuberculose, uma grave desnutrição associada à doença, uma meningite e uma pneumonia aguda.

Gabriel Lezcano, responsável da área materno-pediatrica do Ministério da Saúde argentino, explicou que “o paciente tinha um quadro clínico complexo, que nos últimos dias fora agravado por uma infeção pulmonar”, acrescentando que “a má nutrição do rapaz estava associada a uma incapacidade severa que, entre outras coisas, gerava dificuldades de absorção dos a alimentos; e não há falta de comida no seu núcleo familiar”.

O caso levou mesmo o Governo argentino a emitir uma mensagem nas redes sociais reforçando essa mensagem de que a sua morte não foi devida a falta de assistência: “Este menino nasceu com uma incapacidade, uma hidrocefalia não evolutiva (…) e uma paralisia cerebral que gerou um atraso madurativo e psicomotor grave. É importante esclarecer que a família recebe assistência alimentar do Estado e o jovem estava submetido aos tratamentos adequados às suas patologias”.

A tuberculose associada à má nutrição e à falta de condições sanitárias é contudo um quadro comum entre os índios de Impenetrável. A família diz ainda que a mãe do menino morreu há quatro anos devido a uma peritonite agravada devido a negligência médica.