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Juncker: “Espero que todos estejam a bordo, sem poemas nem retórica”

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PATRICK SEEGER / EPA

Presidente da Comissão Europeia quer ver todos os países membros da UE envolvidos no acolhimento aos refugiados e deixa claro que o sistema de recolocação de 160 mil requerentes de asilo deve ser obrigatório

Não há meias palavras para o Presidente da Comissão Europeia. Jean-Claude Juncker quer ação e quer todos os países envolvidos da distribuição de mais 120 mil refugiados para além dos 40 mil que os Estados-membros (alguns) já concordaram em recolocar.

“Estamos a falar de 160 000 que os europeus têm a responsabilidade de receber nos seus braços, e desta vez espero que todos estejam a bordo, sem poemas nem retórica, ação é o que é preciso neste momento”, disse, perante os eurodeputados, em Estrasburgo.

Juncker dedicou a primeira hora do discurso sobre o Estado da União à questão dos refugiados. Foi direito ao problema e pegou na História recente da Europa para recordar todos os que fugiram do regime nazi. “Já esquecemos que depois da II Guerra Mundial 60 milhões de pessoas foram refugiados europeus", disse, lembrando os que foram forçados a sair da Hungria e da Polónia.

 “Não podemos acolher toda a miséria do mundo. Mas (os refugiados que vêm para a UE) representam apenas 0.11% da população da União”

“Não podemos acolher toda a miséria do mundo. Mas (os refugiados que vêm para a UE) representam apenas 0.11% da população da União”

VINCENT KESSLER / Reuters

A referência a estes dois países não é inocente, tendo em conta que os governos húngaro e polaco (tal com como o eslovaco e do checo) têm criticado o sistema de distribuição proposto pela Comissão e colocado obstáculos ao acolhimento de refugiados.

“Podemos construir muros e vedações, mas imaginem que o mundo à vossa volta se desmorona, não há muro que não tentem ultrapassar (...) Estamos a lutar contra o Estado Islâmico, porque não aceitaremos o que estão a fugir dele?”, perguntou Jean-Claude Juncker perante o hemiciclo em Estrasburgo.

Um discurso de apelo às responsabilidades de uma União “rica” e que tem “os meios” para ajudar quem foge à guerra. “Não podemos acolher toda a miséria do mundo. Mas (os refugiados que vêm para a UE) representam apenas 0.11% da população da União”, disse, lembrando os refugiados representam 25% da população do Líbano, “um país que tem apenas um quinto da riqueza da Europa”.

Juncker rejeitou ainda as acusações de que Bruxelas tem estado impávida perante o problema, recordando que tem apresentado medidas e está a abrir processos contra os países que não estão a respeitar as regras da política comum de asilo.

“É por isso que hoje a Comissão também propõe um sistema de recolocação permanente”, um mecanismo que deverá permitir à UE lidar, no futuro, com este tipo de crises. Juncker quer ainda ver reforçada da gestão comum das fronteiras externas (FRONTEX) e que o dinheiro a mais que será necessário será "bem gasto”

“Precisamos de talentos vindos de todo o mundo."

“Precisamos de talentos vindos de todo o mundo."

VINCENT KESSLER / REUTERS

Legalizar a imigração

“A imigração tem de ser legalizada”, disse ainda Jean-Claude Juncker referindo-se à entrada legal de imigrantes económicos na União Europeia. No início de 2016, a Comissão Europeia vai apresentar um “pacote bem delineado para a imigração”, algo que não é a primeira vez que defende, justificando que a Europa é um continente envelhecido e em declínio demográfico.

“Precisamos de talentos vindos de todo o mundo. A migração tem de deixar de ser um problema para passar a ser um recurso bem gerido”, explicou no Parlamento Europeu.

Esforço grego merece respeito

Num discurso que durou hora e meia, Jean-Claude Juncker falou ainda dos desafios económicos e monetários da União, dos desafios climáticos, referiu a importância do Plano Juncker de Investimento e fez uma referência especial à Grécia.

“O dever da Comissão é velar pelo interesse comum. Não me ocupar do caso grego teria sido um erro imperdoável”, disse, recordando que nunca quis a saída da Grécia da Zona Euro, mas que Alexis Tsipras sabia que essa era uma opção ainda “que não pudesse ser dita em público” para não se tornar uma realidade.

Juncker diz tudo ter feito para encontrar uma solução para a crise grega e defende que os trabalhadores gregos merecem respeito. “Os gregos, principalmente os de baixos rendimentos, são pessoas que trabalham e que fazem tudo para que o país deles progrida e é preciso respeitar os esforços da nação grega”, concluiu.