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Expresso

  • Um gesto do tamanho de 20 vidas

    Joey foi de férias, Joey estava no hotel. Joey ligou a televisão, Joey não acreditou no que viu. Joey chamou os amigos, Joey juntou dinheiro para comprar 20 bilhetes de comboio. Joey foi à gare, Joey encontrou refugiados sírios desesperados - sem bilhetes, sem dinheiro. Que fogem já não sabem bem como nem para onde. Joey deu-lhes os bilhetes. É um daqueles gestos do tamanho da vida, vida que os sírios que lhe ficaram com os bilhetes não sabem como será agora que viajam com os bilhetes de Joey. Mas a vida não é mais simples para os que não precisaram dos bilhetes de Joey porque já tinham um comprado. O Expresso na Hungria

  • Perseguidos, roubados e humilhados: na fronteira do desespero

    Ficar onde estavam não era opção: se a morte não os apanhasse, apanharia certamente um dos seus. Ou vários dos seus. Por isso deixaram, deixam e deixarão os países onde nasceram e viveram - e fazê-lo contra a vontade não é capricho, mas sobrevivência. E primeiro era o mar, que se tornou para uns (tantos, tantos) cemitério, a separá-los do que ansiavam alcançar cá, neste lado onde estamos e onde eles veem (esperam, sonham) esperança e dignidade. E depois do mar, agora há muros entre eles e nós, como este na fronteira entre a Hungria e a Sérvia: estivemos lá e é lá que regressamos consigo numa experiência multimédia que é experiência de vida. Se um mar não trava o desespero, é um muro que vai parar?

  • As lágrimas de crocodilo

    Os migrantes que agora nos comovem em Budapeste são os que tiveram sorte, dinheiro e iniciativa para chegar aqui. Para trás ficaram os condenados à morte

  • “Acontecerá algo terrível antes de se encontrar um equilíbrio.” Migração e refugiados, por Umberto Eco

    A entrevista era sobre livros, sobretudo o dele que estava para sair, e aconteceu num tempo em que esta crise de refugiados que nos entrou pelas notícias já existia mas sem o impacto destes dias - transformados pela imagem do naufrágio da humanidade simbolizado num menino morto numa praia. A entrevista dele ao Expresso era sobre livros, mas Umberto Eco falou sobre mais - incluindo este tema que o preocupa há muito, o da migração e dos refugiados. Recuperamos o que ele enunciou em abril agora que estamos despertos para uma tragédia que se estende não há dias nem semanas, mas há meses e quase anos. É uma reflexão dura: “ A Europa irá mudar de cor. E isto é um processo que demorará muito tempo e custará imenso sangue”. Mas também com fé no outros homens - nos que estão e nos que vêm: “A migração produz a cor da Europa”