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Internacional

Norte e Sul acordaram reiniciar encontros entre familiares separados na guerra

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Responsáveis do Norte (esq) e do Sul acordam encetar conversações

SOUTH KOREAN MINISTRY OF UNIFICATION

Famílias separadas desde 1953 voltam a ter esperança de se re-encontrarem com o degelo de Pyongyang e Seul

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Parece que é desta que as famílias que foram separadas pela guerra da Coreia - em consequência da qual se criaram dois países, a Coreia do Norte e a Coreia do Sul - vão voltar a poder reunir-se. Um encontro de membros do ministério da Unificação da Coreia do Sul e representantes da Coreia do Norte aceitaram esta segunda-feira dar início a “conversações de trabalho” com vista a reunir familiares separados.
As conversações que tiveram lugar junto à aldeia de fronteira de Panmunjon resultam de um acordo entre os dois países alcançado há duas semanas com o fim de reduzir a tensão entre os dois Estados que sofreu uma escalada em final de agosto.
Dada a desconfiança entre as duas Coreias, alimentada por faltas de cumprimento anteriores de outros acordos, não há garantia de que a segunda reunião familiar em cinco anos venha realmente a ter lugar. Por isso, o encontro desta segunda-feira concentrou-se na marcação da data e local para o encontro, supondo-se que venha a ser a estância de Monte Kumgang, no norte, no início de outubro, adianta o diário britânico “The Guardian”.
Com milhões de pessoas separadas em resultado do conflito que virou coreanos contra coreanos entre 1950 e 1953, o programa de reunião de famílias só teve início após uma primeira reunião de sucesso entre os dois países em 2000. Há cerca de 66 mil sul-coreanos - a maioria de 80 e 90 anos de idade - em lista de espera para visitar os parentes no Norte, porém apenas algumas centenas são selecionados em cada visita. Muitos morreram sem nunca mais terem tido qualquer oportunidade de ver ou ouvir notícias dos seus parentes que ficaram do outro lado da fronteira, através da qual é proibida qualquer comunicação.
Desde 10 de agosto que a Coreia do Sul voltou a “bombardear” o vizinho norte com propaganda áudio na fronteira, após dois soldados sul-coreanos terem sido seriamente feridos com explosões de minas durante os seus exercícios comuns de patrulha no lado sul coreano da Zona Desmilitarizada. Segundo “The Telegraph”, as músicas, altamente populares entre os sul-coreanos, assustaram os responsáveis norte-coreanos obrigando-os a sentarem-se à mesa de negociações, após a recente escalada de ameaças fronteiriças entre os dois países. O jornal britânico cita a agência noticiosa Yonhap dizendo que Pyongyang rapidamente percebeu que perderia a “batalha de palavras”.