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Internacional

Islamitas moderados reforçados nas eleições locais em Marrocos

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YOUSSEF BOUDLAL

A eleições locais e regionais da passada sexta-feira deram mais poder do que nunca ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (islamita moderado)

As eleições locais da passada sexta-feira reforçaram o poder dos islamitas moderados do PJD. Os eleitores não parecem ter dado grande crédito às duras críticas da comunicação social contra esta força política. Depois de ter ganho, em 2009, as autarquias de Kenitra e Tetuán, desde sexta-feira o PJD controla também as câmaras muncipais de Rabat, Tánger, Agadir, Casablanca, Marrakech e Fez.

A grande incógnita das eleições era saber se os três anos do PJD à frente do Governo tinham desgastado os islamitas. Mas os resultados divulgados pelo Ministério do Interior mostram que não: contados os votos, o PJD conseguiu 174 deputados regionais, ou seja, cerca de 25,6% (eram 678 os lugares em disputa). O segundo a conquistar mais lugares nos conselhos regionais foi o Partido da Autenticidade e Modernidade (132 lugares). A abstenção nas eleições foi bastante elevada (46.4%), mas ainda assim inferior à registada em 2009.

Bernabé López, observador internacional do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, não se mostra surpreendido com os resultados, destacando a resistência do PJD ao fim de três anos de governo: “Foram obrigados a subir o preço da gasolina e a fazer cortes orçamentais, mas isso não teve consequências nos resultados. Pode dever-se ao facto de muita gente não os ver como verdadeiros governantes, por acreditarem que quem governa na realidade é o rei”, diz López, citado pelo diário espanhol El País.

O PJD é o maior partido da coligação de quatro forças políticas que governa Marrocos. O Executivo tomou algumas medidas polémicas como obrigar um canal de televisão a pagar o equivalente a dois milhões de euros por emitir em direto um concerto de Jennifer López que terá incluído, supostamente, atitudes de “conotação sexual”. Também apresentou um projeto provisório de código penal que prevê três anos de prisão para homossexuais e um a três meses para adúlteros.