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França vai bombardear o Estado Islâmico

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YOAN VALAT / EPA

Com a Europa a atravessar uma das suas piores crises migratórias desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o presidente francês anuncia a intenção de avançar com bombardeamentos na Síria - país de onde estão a fugir milhares de pessoas devido à guerra civil e ao avanço dos jiadistas

O presidente francês, François Hollande, anunciou esta segunda-feira que deu instruções às Forças Armadas do seu país para realizarem voos de reconhecimentos para lançar eventuais ataques aéreos na Síria contra o autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

"Foi decidido que a partir desta terça-feira haverá voos de reconhecimento, em colaboração com a coligação internacional, e no seguimento dessa informação que vamos recolher estaremos prontos para bombardear", disse Hollande, que até agora se tinha oposto a bombardeamentos em território sírio, apesar de participar na coligação internacional que combate os terroristas do Estado Islâmico.

Numa conferência de imprensa que se realizou esta segunda-feira no Palácio do Eliseu, Hollande descartou uma intervenção militar terrestre na Síria, considerando-a "inconsequente" e "irrealista".

"Irrealista porque seríamos os únicos, e inconsequente porque seria transformar uma operação numa força de ocupação", vincou o chefe de Estado francês.

Nas respostas às perguntas dos jornalistas, Hollande insistiu que Bashar Al-Assad deverá deixar o poder durante a transição: "Não se deve fazer nada que possa consolidar ou manter o poder de Bashar", sublinhou.

Este anúncio acontece numa altura em que a Europa, dividida, conhece uma das suas piores crises migratórias desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Berlim atenuou as suas regras de acolhimento para os cidadãos sírios, desistindo de os reencaminhar para o seu ponto de entrada na Europa.

Numa decisão sem precedentes, a Áustria aceitou também na noite de sexta-feira para sábado, em concertação com Berlim, facilitar o acolhimento e o trânsito em direção à Alemanha de milhares de migrantes retidos na Hungria, país a que afluíram cerca de 50.000 pessoas só em agosto.

“Situação excecional”

Há duas semanas o presidente francês e a chanceler alemã, Angela Merkel, pediram uma resposta "unificada" da Europa à crise migratória, numa declaração conjunta em Berlim.

"Temos de aplicar um sistema unificado do direito ao asilo", disse Hollande numa breve declaração à imprensa, a 24 de agosto, ao lado de Merkel, sublinhando que o afluxo de refugiados de países em conflito "é uma situação excecional que vai durar algum tempo".

Angela Merkel, cujo governo estima receber 800.000 pedidos de asilo em 2015, afirmou que Berlim e Paris esperam que os países membros da UE apliquem as políticas de direito de asilo "o mais depressa possível".

Os dois líderes, que falavam antes de se reunirem em Berlim para avaliar a crise migratória, sublinharam por outro lado a importância de Grécia e Itália, países que recebem o maior número de refugiados, a abrirem até ao final do ano centros de registo de refugiados.

"Não podemos tolerar um atraso", disse Merkel.

Hollande frisou por seu lado que esses centros são "muito necessários" porque podem tomar "a decisão precisa", ou sejam selecionar os migrantes elegíveis para asilo e repatriar os que não estão nessas condições.

A Alemanha defende há muito tempo uma tal política, argumentando que cerca de 40% dos pedidos de asilo que recebe são apresentados por cidadãos dos Balcãs e que, para ajudar os refugiados da Síria, Iraque e algumas regiões de África, tem de poder filtrar mais facilmente os "migrantes económicos".

A Europa enfrenta um afluxo de migrantes sem precedentes, já qualificado por Bruxelas como a pior crise de refugiados mundial desde a II Guerra Mundial.

Segundo números oficiais, 107.500 migrantes chegaram à Europa só em julho, o triplo das chegadas registadas no mesmo mês de 2014.

No total, entre janeiro e julho, 340.000 migrantes chegaram à Europa, quase três vezes mais que nos mesmos sete meses de 2014 (123.500).