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China diz que o número dois do Tibete está vivo e de boa saúde, mas não quer ser incomodado

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Uma mulher tibetana em prece num templo budista

GETTY

Há 20 anos o menino desapareceu, três dias depois de ter sido identificado pelo Dalai Lama como a reencarnação do Panchen Lama, o que o tornou na segunda mais importante figura do budismo tibetano

Apesar de não dar quaisquer detalhes sobre o seu paradeiro, um responsável do regime chinês assegurou que Gendun Choekyi Nyima – o rapaz identificado há 20 anos como Panchen Lama, a segunda mais importante figura do budismo tibetano – se encontra bem e de boa saúde. “A criança que é a reencarnação de Panchen Lama está a ser educada, vivendo uma vida normal, a crescer de forma saudável e não quer ser perturbada”, afirmou Norbu Dunzhub, membro do Departamento da Frente de Trabalho Unida da Região Autónoma do Tibete, durante uma conferência de imprensa.

A questão sobre o paradeiro de Gendun Choekyi Nyima foi colocada por um jornalista da agência Reuters, ao assinalarem-se duas décadas sobre o seu desaparecimento, num momento em que tibetanos no exílio pedem que o regime chinês o liberte por fim. Nyima, na altura com 6 anos de idade, foi detido pelas autoridades chineses três dias depois de o líder espiritual tibetano, Dalai Lama, ter declarado que o menino era a reencarnação de Panchen Lama.

“Não importa o que o Dalai Lama diz ou faz”

A sua identificação “ignorou os costumes históricos e destruiu os rituais religiosos”, disse ainda Dunzhub aos jornalistas, procurando desacreditar o anúncio feito pelo Dalai Lama há 20 anos. “A identificação foi feita sem autorização. É ilegal e inválida (…) Não importa o que o Dalai Lama diz ou faz, os direitos reconhecidos do Governo central relativamente à reencarnação não podem ser negados”, acrescentou.

Após a anexação do Tibete pela China, em 1950, o Dalai Lama, líder espiritual do território, fugiu do país, vivendo desde então no exíli na Índia. Apesar da sua ideologia ateísta, o regime chinês optou por nomear aqueles que considera serem os líderes espirituais do budismo tibetano, ao mesmo tempo que acusou o Dalai Lama de “conspirar para a independência do Tibete”.

Em 1995, a China disse que o 11º Panchen Lama era um individuo chamado Gyaltsen Norbu e não o menino anteriormente referido pelo Dalai Lama. A questão de o regime de Pequim se arrogar o direito de identificar quem são as reencarnações dos líderes espirituais do budismo tibetano já levou o atual Dalai Lama a declarar que, após a sua morte, não haverá um novo Dalai Lama, temendo que a sua sucessão seja usada para dividir e alienar os tibetanos.