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A proposta de Bruxelas: Alemanha, França e Espanha recebem maioria dos refugiados, Portugal três mil

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À entrada de um campo de refugiados na Macedónia

STOYAN NENOV / Reuters

Comissão Europeia apresenta esta quarta-feira novas medidas obrigatórias para ajudar a resolver a crise dos refugiados

O novo esquema que a Comissão Europeia vai apresentar esta quarta-feira condensa uma parte considerável do esforços de acolhimento de refugiados em três países: Alemanha, Espanha e França.

Dado o estado de emergência em que se encontram Itália, Grécia e Hungria, Bruxelas assumiu que pretende “assegurar uma rápida distribuição das pessoas afetadas pelos Estados de acolhimento”, e que poderá definir quotas obrigatórias.

Um gráfico elaborado pelo jornal espanhol “El País” mostra que neste novo esquema só a Alemanha e a França recebem juntos quase metade dos refugiados que a Europa irá ajudar: os germânicos recebem cerca de 26,2% (31.443 refugiados) e os gauleses cerca de 20% (24.031). Portugal ficaria com mais de 3000, acima do valor que o Governo negociara antes da crise (cerca de 1500).

Governo espanhol “sobrecarregado”

O terceiro país a receber mais refugiados é a Espanha: a União Europeia pretende que receba quase 15 mil refugiados (12,4%), um número substancialmente superior aos 2.749 previstos antes de se ter desenrolado no verão esta crise que afeta os refugiados sírios. A vice-primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaría não se mostra muito satisfeita com a situação, tendo já na passada semana reforçado que a Espanha teria de impor limites à sua solidariedade.

No entanto, depois de o mundo ter sido chocado pelas imagens de um menino afogado nas praias de Brodum (Turquia), o Executivo espanhol tornou-se mais recetivo: na última sexta-feira, o primeiro-ministro Mariano Rajoy defendeu essa posição, numa opinião partilhada pelo ministro do Interior, Jorge Fernández: Espanha não estabelecerá “limites” à sua solidariedade com os refugiados e migrantes, sendo necessário “um esforço maior”. Os governantes avisaram, todavia, que o país está “sobrecarregado” e que não será facil criar condições para tanta gente.

Uma novidade

A verdade é que, segundo cálculos da comissão, os refugiados que a Europa deverá receber estão longe de cobrir as necessidades de Hungria, Itália e Grécia: 12.000 corresponde apenas a 36% das entradas irregulares que se registaram nestes três países desde que esta crise começou.

A proposta de Bruxelas tem outra novidade: com o objetivo de vencer as resistências constantes dos países de leste em receber mais refugiados, baixou significativamente a quota de refugiados para este bloco. A única exceção é mesmo a Polónia, que passa de 6,65% para 7,74%, depois de a primeira-ministra Ewa Kopacz se ter mostrado recetiva a fazer um esforço maior, ainda que afirme não concordar com o sistema obrigatório que a Comissão Europeia quer impor.

  • Perseguidos, roubados e humilhados: na fronteira do desespero

    Ficar onde estavam não era opção: se a morte não os apanhasse, apanharia certamente um dos seus. Ou vários dos seus. Por isso deixaram, deixam e deixarão os países onde nasceram e viveram - e fazê-lo contra a vontade não é capricho, mas sobrevivência. E primeiro era o mar, que se tornou para uns (tantos, tantos) cemitério, a separá-los do que ansiavam alcançar cá, neste lado onde estamos e onde eles veem (esperam, sonham) esperança e dignidade. E depois do mar, agora há muros entre eles e nós, como este na fronteira entre a Hungria e a Sérvia: estivemos lá e é lá que regressamos consigo numa experiência multimédia que é experiência de vida. Se um mar não trava o desespero, é um muro que vai parar?