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Presidenciais na Guatemala no meio de uma crise política

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Várias dezenas de pessoas manifestaram-se nas ruas da Guatemala na véspera das eleições presidenciais

Reuters

Mais de sete milhões de eleitores escolhem este domingo quem será o sucessor do ex-Presidente Otto Pérez Molina, detido esta semana por envolvimento num escândalo de corrupção

A poucas horas do início das eleições gerais, cerca de uma centena de nacionais da Guatemala realizaram um velório simbólico pela democracia, que consideram morta.

“Quebremos o ciclo da nossa desgraça, estas eleições não são a democracia”, entoavam em coro repetidamente os guatemaltecos que pediam o fim do processo eleitoral que se cumpre este domingo, quando 7,5 milhões de eleitores são chamadas às urnas para eleger quase 4.000 cargos públicos.

Os principais candidatos à Presidência do país são o empresário de centro-direita, Manuel Baldizon, e o ator Jimmy Morales. Se, como é provável, nenhum dos candidatos obtiver 50% dos votos, haverá segunda volta a 25 de outubro.

A abertura das urnas no país com uma população de 15,8 milhões de pessoas está prevista para as 07:00 (14:00 em Lisboa) e os primeiros resultados deverão ser divulgados pelas 3h portuguesas.

Na noite de sábado, estudantes encapuzados, mulheres com véus e velas e até crianças cantaram o hino nacional, mas com uma letra especial, que fala da morte da democracia devido aos mais recentes escândalos de corrupção que levaram à demissão e prisão do ex-presidente Otto Pérez Molina, esta semana.

Na marcha, os participantes transportaram um caixão no qual, simbolicamente, repousava a democracia de Guatemala.

Maldonado, de 79 anos, que desempenhava o cargo de vice-presidente da Guatemala, prestou juramento na quinta-feira como Presidente perante o Congresso, tal como estabelece a Constituição em caso de ausência “absoluta ou temporal” do Presidente.

A primeira medida de Maldonado foi pedir a renúncia de todos os ministros, secretários e altos funcionários do Governo.

O escândalo rebentou em meados de abril, quando a Comissão Internacional Contra a impunidade na Guatemala, entidade da ONU com a função de sanear o sistema judiciário, infiltrado pelo crime organizado, acusou um dos principais assessores da vice-Presidente, Roxana Baldetti, de envolvimento numa rede de contrabando e fraude aos impostos.

Desde então, os guatemaltecos saem à rua todos os sábados para exigir o fim da corrupção e da impunidade.