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Candidato às presidenciais diz que EUA devem acolher pelo menos 65 mil refugiados sírios

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Win McNamee

Dos cerca de 4 milhões de refugiados que deixaram a Síria desde o início da guerra civil, apenas 1554 chegaram aos Estados Unidos

Helena Bento

Jornalista

Martin O'Malley, candidato democrata à Casa Branca, disse que os Estados Unidos deveriam receber pelo menos 65 mil refugiados até ao fim de 2016, número superior ao inicialmente anunciado pelo Governo americano. "Os americanos são pessoas generosas e misericordiosas. Mas as nossas políticas atuais estão aquém desses nossos princípios. Devemos fazer mais para apoiar os refugiados sírios", lê-se no comunicado que o candidato partilhou na sua conta do Twitter.

"Se a Alemanha - um país com um quarto da nossa população - pode aceitar 800 mil refugiados este ano, nós - país de imigrantes e refugiados - podemos certamente fazer mais", escreveu o antigo governador democrata do estado do Maryland, que defende, entre outras medidas, uma reforma da imigração que permita a legalização de 11 milhões de pessoas.

Em Agosto deste ano, responsáveis do Departamento de Estado dos EUA anunciaram que o país ia receber entre 5 mil a 8 mil refugiados da Síria até ao fim de 2016, número que uma porta-voz do Departamento de Estado, Danna Van Brandt, se recusou a confirmar esta sexta-feira. Danna Van Brandt garantiu apenas que o país vai acolher entre 1500 a 1800 refugiados sírios até ao final de 2015, número que o Governo americano espera poder vir a aumentar até ao final de 2016.

O'Malley considera que imagens como a de Aylan Kurdi, o menino sírio de três anos cujo corpo deu à costa na praia turca de Bodrum, deveriam motivar os Estados Unidos a "fazer mais". "Os mais de 4 milhões de refugiados sírios que fogem da guerra e da fome constituem agora a segunda maior população de refugiados do mundo. Da mesma foram que a Europa se tem vindo a aperceber, nós também não somos imunes às injustiças e tragédias que estão acontecer fora das nossas fronteiras", referiu O'Malley.

Numa entrevista esta sexta-feira ao canal norte-americano MSNBC, Hillary Clinton reconheceu que os Estados Unidos "têm de fazer a sua parte para ajudar os refugiados sírios, assim como a Europa", mas, ao contrário do seu rival democrata, Hillary não avançou com números concretos.

Estados Unidos sob pressão para acolher mais refugiados

Cerca de 4 milhões de refugiados deixaram a Síria desde o início da guerra civil no país, em 2011. A maioria tem seguido em direção à Europa, Médio Oriente e Norte de África. Desses, apenas 1554 chegaram aos Estados Unidos, segundo gráficos divulgados pelo Departamento de Estado americano e citados pela revista "Time".

Várias organizações internacionais têm vindo a pressionar o Governo americano para receber mais refugiados sírios. O Comité Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês) apelou ao governo para acolher 65 mil refugiados sírios até ao fim do ano, metade do número que o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados pediu à comunidade internacional para receber.

Apesar dos apelos e de alguma pressão internacional, especialistas na área das migrações não acreditam que o Governo americano ceda ou mude de estratégia. Kathleen Newland, membro do Migration Policy Institute, considera que há ainda "pouca tolerância" em relação aos refugiados vindos de países com presença de grupos terroristas como o autoproclamado Estado Islâmico e a Al-Qaeda. "Tudo vai depender de como o conflito [guerra na Síria] terminar", refere Kathleen Newland, citada pela revista "Time".

Declarações de um porta-voz do Departamento de Estado ao "Washington Post" confirmam esses receios. Mark Toner garantiu que o país está a "tentar fazer mais, sobretudo para ajudar os refugiados sírios", mas que está limitado por uma série de procedimentos, como a verificação dos perfis dos refugiados, que visam garantir a "proteção do país contra a infiltração de grupos terroristas". Para os refugiados vindos da Síria, esses procedimentos podem levar cerca de 18 a 24 meses a serem cumpridos, referiu o porta-voz.